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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

UV 2011: Dia 6

Paulo Pinheiro, 06.09.11

 

 

Hugo Carneiro

29 anos

Porto

 

Em Castelo de Vide, Sábado foi dia de grande agitação com o acolhimento de Vítor Gaspar e António Barreto, duas figuras de destaque da nossa sociedade. Na aula magistral do Ministro das Finanças, os alunos da UV puderem perceber que a dificuldade económico-financeira que o país atravessa exigirá o comprometimento de todos os portugueses e a assunção de medidas difíceis, capazes, porém, de repor Portugal no trajecto da consolidação orçamental e do crescimento.

Referindo-se ao contexto histórico, explicou que a crise da dívida pública portuguesa pode encontrar raízes próprias, que não só as derivadas do estalar da bolha imobiliária do subprime, em meados de 2007, pelo que Portugal tem particulares responsabilidades.

 

Já António Barreto, abordando o tema da reforma constitucional, para o qual foi desafiado pelo Eurodeputado Carlos Coelho, esclareceu a Universidade que os arquétipos em que assentou a CRP em 1976 encontram-se já hoje ultrapassados. Se a CRP 76 foi uma necessidade para evitar a instalação de um regime militar, comunista ou fascista no pós 25 de Abril, hoje percebemos que a consolidação do regime democrático, resultante da vivência das últimas décadas, impõe uma nova forma de olhar o texto fundamental. Impõe-se, na opinião do conferencista, a libertação do materialismo ideológico existente no documento, que promove políticas contrárias aqueloutras procuradas pela maioria política de cada momento. Como mensagem estrutural, António Barreto afirma que as “gerações têm o direito de olhar para a Constituição e de a adaptar ou reajustar, sobretudo quando é tão programática”. Assim, a reforma que se exige hoje, mais do que nunca, deve fugir ao habitual e difícil processo negocial partidário, devendo ser promovida a busca de novas soluções através de uma Comissão de Debate, fora da lógica dos partidos em plenário parlamentar.

 

O dia não terminou, porém, com António Barreto e da parte da tarde assistiu-se ainda às simulações dos debates parlamentares. Neste desafio, os alunos da UV tiveram de apresentar os seus projectos de governo/propostas de lei, sendo que em seguida surgiu um momento de oposição e de defesa do Governo. O que se pretendeu foi colocar à prova os discentes, percebendo os seus dotes de oratória argumentativa, com vista a realçar os pontos positivos e negativos das diferentes formas de estar em debate, i.e., de como se deve “Falar Claro”. A Assembleia exigiu um momento de grande trabalho preparatório dos vários grupos e culminou com uma forte explosão de adrenalina naqueles participantes que assumiram o papel de políticos por um dia.

 

Pela hora do jantar o convidado foi Tomaz Morais, que se apresentou aos jovens da UV com um discurso sobre liderança. Ser político pressupõe também dotes de liderança, pelo que através do mundo do desporto essas características puderam escalpelizadas. Foi um momento que apaixonou os alunos da UV e que se revelou de grande aprendizagem.

 

Sábado foi o dia do culminar de grande parte do esforço e tensão investidos pelos alunos nos dias anteriores e a grande conclusão que penso poder retirar-se é a de que os grupos participantes foram aprovados com Distinção.

 

 

Francisco Nunes Pereira

19 anos

Maia

 

Dizem-nos que o tempo voa. Mas nunca acreditamos. Só quando participamos em iniciativas como a UV é que lhes damos razão. Assim aconteceu na Universidade de Verão 2011. Num ápice estávamos já no penúltimo dia.

 

Para o 6º dia ficou reservada o que para muitos é a actividade mais entusiasmante: a simulação de um plenário da Assembleia da Republica. Mas antes havia que ouvir o Dr Vítor Gaspar responder à espinhosa pergunta: “Há uma saída para a crise?” 

O ministro começou por fazer um relato minucioso das causas imediatas desta difícil conjuntura. Falou da crise do subprime nos EUA responsável pelo congelamento do mercado interbancário internacional. Do contexto mundial, o orador caminhou para situação nacional, sublinhando o facto de que a crise nacional tem causas nos desequilíbrios existentes na nossa economia e que a conjuntura mundial apenas os avivaram acelerando um processo já inevitável de crise profunda. Com responsabilidade afirmou que a crise não será resolvida com milagres e com humildade reconheceu que não existe apenas uma solução para encontrar o caminho do sucesso.

 

Para a tarde o momento mais aguardado. Era tempo da assembleia. A noite anterior tinha sido de intensa preparação. Ensaios de discursos nos quartos que se prolongaram até bem perto da aurora de Sábado. A sala de aulas foi devidamente encenada para que se assemelha-se o mais possível ao hemiciclo de S. Bento. Tudo apostos, começaram governos e oposições num hábil e nobre exercício de argumentação e retórica. Intervenções apaixonadas umas, técnicas outras, mas interessantes todas. Os discursos foram todos desfiadas por apartes incisivos, muitos deles distraindo o orador e obrigando a que os presidentes da assembleia tivessem de chamar a atenção. Penso que todos os alunos da UV 2001 aprenderam muito com esta simulação.

 

Neste dia tivemos também a honra de receber António Barreto e Tomaz Morais. Excelentes intervenções com que brindaram os alunos e staff da UV. António Barreto defendeu uma nova constituição para Portugal, uma “constituição para todos” nas suas  eloquentes palavras. E Tomaz Morais deixou-nos sábios conhecimentos de motivação e liderança, fazendo apelo à sua própria experiência como líder.

 

Em suma, um dos melhores dias da UV 2011, se for possível destacar um de entre 7 dias incríveis será provavelmente este.

 

A toda a organização agradeço as fantásticas experiências que me proporcionaram. Ao meus colegas de grupo e à conselheira homenageio-vos pela mais gratificante experiência de trabalho em equipa que algum dia já tive e dificilmente replicável. A todos os meus colegas da UV 2011 obrigado pela amizade e solidariedade que mostram em toda a semana. Esta foi uma semana inesquécivel. Obrigado por tudo!

 

 

Cristiano Luís Gaspar

15 anos

Fundão

 

Foram dias de imenso trabalho e de poucas horas de sono. Passámos momentos de grande divertimento, mas também de intenso trabalho. Nesta UV, onde aprendemos a crescer como pessoas e como cidadãos, aprendemos também o valor da solidariedade e do companheirismo. Contudo, e como tudo, a semana esgotou-se rapidamente. Os dias e as horas passaram de modo rápido e, de modo inacreditável, não demos pelo tempo a correr.

 

Deste modo, chegámos ao último dia deste magnífico projecto. Não foi por ser o último que perdeu a intensidade. De nós, continuou-se a esperar o empenho e dedicação já bem evidentes no seio de todo o grupo.

 

Iniciamos o dia com uma excepcional, diga-se, aula por parte do Dr. Vítor Gaspar onde abordámos a actual situação económica do país e que “Saídas para a Crise” eram viáveis.

 

Depois do almoço-conferência, com o Dr. António Barreto, seguiu-se um dos momentos mais aguardados da UV. A simulação da Assembleia da República. Tendo como avaliadores o Deputado Europeu e Reitor da UV Carlos Coelho e o ex-D

eputado Pedro Duarte, assistiram-se a momentos de seriedade, ironias, ataques. Foi um verdadeiro “pugilato político”, no qual nunca se esqueceram as regras num debate e principalmente nunca se perdeu o valor do companheirismo.

 

Valor esse que nos foi reforçado na palestra da noite, com o Dr. Tomaz Morais. Ensinou-se a ser grandes líderes sem nunca descurar a razão dos restantes membros da nossa equipa.

 

Tinha sido a última palestra da Universidade de Verão 2011. Há noite, e já a jeito de despedida, houve um grande convívio entre todos os grupos onde se enalteceu a regra de Ouro da UV 2011. A amizade, esse valor, nunca foi esquecida. E, futuramente, será mantida em cada dia do resto das nossas vidas.

 

Obrigado UV 2011.