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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

Extraordinária Lata

Diogo Agostinho, 10.10.11

 

Fui a pedido das Nações Unidas observar o acto eleitoral que decorreu este fim-de-semana numa ilha chamada Madeira. Não há descrição para o que encontrei. Fui na easyjet e logo percebi, só deixaram entrar esta companhia por ser laranja. Começava aqui a percepção de asfixia democrática. À chegada um aeroporto moderno! Pensei logo, incrível como estes tipos fazem campanha com modernices. Depois fui enviado para uma fila interminável, tive que demonstrar onde votei nos últimos 5 anos. Só passou quem declarou laranja na cor.

 

As estradas, pela via rápida, só tinham carros a andar prá frente. Tal e qual como o slogan do regime. Sim. O regime tinha cartazes espalhados. Prá frente sempre. E que abertura extraordinária, haviam cartazes de outros partidos. Claramente para despistar. Cartazes com a cara do líder do regime a falar em azeite azedo e tudo. Inacreditável, é truque pensei logo. O dia passou e no fim de sexta-feira, todos os partidos cumpriram uma tal de lei que obriga a retirar os cartazes, pensei logo que o regime falava mais alto, tiram cartazes porque o líder desse regime nem precisa pois claro.

 

Depois sentia-se um clima hostil, os madeirenses na rua olhavam para as pessoas e fitavam quem poderia parecer votar ao lado. Como se fosse sequer possível um qualquer Partido dos Animais e Natureza eleger um deputado sequer.

 

Dia de reflexão. Pois bem, pessoas na rua sempre a fitar os eleitores. Pareciam agentes disfarçados. Era perseguição. Sugeria que o boletim de domingo só teria setinhas e PPDs.

 

À noite, jornalistas da RTP e SIC conviviam na parte velha do Funchal. A beber uns copos alegres e sorridentes. Estava aqui a prova. Era sabotagem. Juntos para os distrair do regime totalitário que se vive. Essa canalha como lhes chama o líder do regime estava "controlada". Chegamos então ao dia das eleições. Um domingo. Pensei novamente, olha que giro estes tipos fazem mesmo tudo igual aos bons regimes democráticos. Achei que as mesas das urnas teriam certamente militares a encaminhar as pessoas. Depois estava Sol, certamente encomendado pelo regime para enviar as pessoas para outras paragens. Mas não, chegado ao local, assisti a algo ainda mais extraordinário. O boletim de voto tinha 9 partidos! É verdade 9 partidos e todos eles bem diferentes. Depois cada mesa de voto tinha pessoas diferentes e zero de militares. Estranhei, pensei que deveriam ter câmaras de filmar nas urnas. Mas lá fui espreitar e não vi nada. Ainda me convidaram para votar, como tinha passado no aeroporto pensei que era para subir o score do regime. 

 

Enfim!

 

É extraordinário as reacções dos políticos e politólogos deste país. Primeiro dizer que existiu uma Maioria Absoluta de um Partido que governa há mais de 3 décadas. Depois que o principal Partido da oposição teve 10%! Leram bem 10%! Em que o segundo Partido mais votado está à direita do vencedor e é parceiro de coligação no Contenente! Um Partido que até admitiu entrar em coligação com o PSD na Madeira. Claro que sem Alberto João. Mas um Partido de Direita que capitalizou com a campanha feita contra o Regime! Que teve 3 Ministros em plena campanha na ilha e que bateu no parceiro de coligação, isto claro, por as ilhas não estarem abrangidas. Depois vemos o Francisco Louçã a declarar o fim do jardinismo. A sério? E o Bloco de Esquerda tem lata de falar em fins de ciclos? Pois para o Louçã digo: PTP, PND, MPT e PAN! Chega? 6 Deputados ao todo. Chega? Um suposto Partido Nacional ter esta humilhante votação? Chega? Fim do quê mesmo Louçã?

 

Uma nota para a declaração do PSD na noite eleitoral, como dizia Romário: Pelé calado é poeta!

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