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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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A «saga» do Ensino Superior

Carlos Carvalho, 06.02.08
É hoje notícia a intenção de Mariano Gago não financiar cursos com menos de 20 alunos, o que, naturalmente, implicará o seu encerramento. A medida soa polémica, mas não sei se será bem assim. É certo que surgirão professores e «lucradores» (permitam-me a expressão) do ensino a levantar a voz contra a medida anunciada. No entanto, creio que o problema do ensino superior não se fica por aqui.

Em Portugal, entre o ensino politécnico e o universitário, existem 3500 cursos de vários graus, descontando já os 1742 que não tiveram qualquer aluno no ano lectivo de 2005/06. Universificando a questão, são ao todo 5342 cursos, que dispõem de 1427 designações diferentes. Cursos não faltam. Em alguns faltam alunos. Noutros faltam perspectivas.

É certo que quando terminar a transição de Bolonha, 2009/10, os números tenderão a estabilizar e a uniformizarem-se. No entanto não se adivinham alterações capazes de repensar o ensino na sua base. Com isto refiro-me à inegável realidade que é a formação, no ensino superior, de desempregados.
Existem cursos sem saída, sem procura. Defendo que o ensino deveria realmente ensinar, mas o que realmente se passa é uma procura desmesurada pela avaliação, em vez da procura de conhecimento.

Considero que a reflexão sobre o Ensino Superior se vem arrastando ao longo dos anos e, infelizmente, assistimos a uma procura de «desenrascar» as vidas dos alunos sem se privilegiar as vocações de cada aluno.

Se temos falta de médicos, porque havemos de os contratar no Uruguai, como recentemente aconteceu, em vez de abrirmos novas vagas em medicina, formando médicos, criando emprego e possibilitando, a quem tem a vocação para medicina, o alcançar do curso?

Porque não mudar a forma de entrada nos cursos superiores, dando preferência à vocação? É certo que as médias são muito importantes, mas também é certo que a alegria e a felicidade melhoram em muito os resultados e a produtividade. Defendo um meio termo, conjugando a vocação natural de cada um com a vocação adquirida durante a escolaridade.

Parece-me certo que a «saga» do Ensino Superior continuará...

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