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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

Lições do cinema brasileiro...

Rui C Pinto, 05.01.11

2011 está à espreita e será um ano de stress social em Portugal. Prevêem-se cortes nos apoios sociais como consequência das medidas de austeridade orçamental; agravamento da crise económica e, possivelmente, escalada dos números do desemprego.

 

É certo que facilmente fazemos o discurso contra aqueles que, em pleno domínio das suas competências físicas, se refugiam em subsídios estatais... Este discurso é legítimo. Mas também é, muitas vezes, populista. Porque não olha ao cerne da questão: o facto de termos em Portugal uma fatia da população que não tem qualificações para se adaptar ao mercado de trabalho e que lhe é excedentária. Isto é, trata-se de uma fatia de população que não encontra lugar no mercado de trabalho por falta de qualificações e cuja barreira do salário mínimo exclui do próprio mercado de trabalho. O que fazer com estas pessoas? Este ano, muitos deles verão revogado o seu sustento. Que país social resultará deste exercício? Infelizmente, não me sinto optimista e temo que estejamos a caminhar para a latino-americanização da nossa sociedade.

 

Temo que os portugueses pobres, já muito pressionados com os números do desemprego e exclusão social, venham a sofrer uma tendência de marginalização, à semelhança da realidade vivida nas grandes metrópoles brasileiras, onde a fragilidade económica, sobretudo dos jovens, leva facilmente a fenómenos de exclusão social. Deixo a sugestão, aos que comigo partilham, não apenas, o receio de um futuro turbulento mas também a paixão por bom cinema, alguns títulos que retratam a fragilidade dos valores e principios perante a carência económica e a exclusão social:

 

Se nada mais der certo, José Eduardo Belmonte (2008)

 

 

Linha de Passe, Walter Salles (2008)

 

 

É bom que parem todos para pensar em que país nos tornaremos no dia em que marginalizarmos uma fatia importante da sociedade na pobreza. A classe média e a alta têm mais a perder do que julgam... Porque a pobreza ameaça a segurança, e em última análise, a democracia e a própria liberdade...

Mas isto veio para ficar?

Diogo Agostinho, 05.01.11

 

Mas isto veio para ficar? É um tema novo? E soube-se só este fim-de-semana que o Presidente da República teve acções do Banco? Mas é este o nosso nível?

 

E Portugal? E a opção de nacionalizar o Banco? Se querem falar do Banco falem. E onde estão os depósitos do BPN como questiona Ulrich? E porque foi nacionalizado?

 

Não há mesmo nada mais importante para se discutir numas eleições Presidenciais? Ai Monarquia Monarquia, o quanto nos poupavas a tristes espectáculos e gastos em campanhas.

Europa, Séc. XXI

Rui C Pinto, 04.01.11

 

 

 

A Hungria assumiu a 1 de Janeiro a presidência da União Europeia, uma semana depois de o parlamento húngaro ter votado uma nova lei de regulação da comunicação social que provocou gritaria na imprensa mundial (Le Monde, El Mundo, BBC News, NYTimes). A nova lei unifica todas as empresas públicas de comunicação e dá poderes a uma nova Entidade Reguladora (cuja composição é nomeada pelo governo) que fixa multas de até 750 mil euros aos autores de notícias que "não sejam politicamente equilibradas", ofendam a "dignidade humana", "o interesse público" ou a ordem moral Os reguladores podem também ter acesso às notícias antes da sua publicação...", in Público.

 

É mais um sinal preocupante do governo húngaro, apoiado por uma confortável maioria de 2/3 no parlamento, depois da escalada de tensão com a vizinha Eslováquia a propósito das pretensões húngaras de reforço das fronteiras étnicas, o que levaria a uma maior influência de Budapeste sobre uma extensa região do Sul da Eslováquia ao longo de toda a fronteira.

 

Serão de esperar mais desenvolvimentos de um país governado por um partido com um discurso fortemente nacionalista apoiado com uma maioria de 2/3 no parlamento... Os húngaros sofrerão, a seu tempo, as agruras do voto. A UE sofre, já!, o claro embaraço de ver-se presidida pelo senhor Viktor Orban...

Porque são uns melhores que outros?

jfd, 04.01.11

O Today da BBC4 (programa de rádio) tem por hábito entregar as 5 últimas edições do ano a famosos. Cada um, ao bom estilo britânicolança o seu assunto. Colin Firth que anda por ai a ser falado como forte candidato a Óscar pelo seu desempenho no King's Speech, saíu-se com esta;

 

I just decided to find out what was biolagically wrong with poeple who don't agree with me, and see what scientists had to say about it and they came up with something!

 

Basicamente ele queria saber se haveria algo comprovável cientificamente que provasse a diferença entre liberais e conservadores. Torna-se então delicioso o programa. Recorrem ao correspondente cientifico Tom Feilden que ficou encarregado de analisar a coisa. Há muito para ler nos links; basicamente foram estudados os cérebros de dois MP's diametralmente opostos politicamente e depois comparados com outras ressonâncias previamente efectuadas no Instituto de Neurociência Cognitiva da University College de Londres a estudantes de direita e de esquerda. Descobertas?

Não me vou sequer atrever a traduzir os termos do inglês ou latim ou lá o que é, mas as pessoas que se dizem liberais têm uma Anterior Cingulate maior que os conservadores. É uma área do cérebro associada com coragem e com always look to the bright side of life! LOL Isto cai como uma luva no que tenho vindo a dizer. Até parece combinado! Já os cérebros de pessoas que se dizem conservadoras têm uma Amygdala direita que é um lobo primitivo do cérebro associado com as emoções e o processamento do medo.

Terá os seus limites o estudo mas a questão do actor abriu as portas para explorar a hipótese cientifica! Genial! Alertado ainda no Countdown da MSNBC (fonte original desta posta) ouvi a reacção do autor John W. Dean a esta história. Fiquei com vontade de ler o seu livro Conservatives Without Conscience.

Mal ouvi isto tudo fartei-me de rir;) E mais ainda quando de facto se comprovou cientificamente que uma pessoa liberal nos costumes como eu é muito melhor que uma pessoa conservadora, velhaca, cinzenta e daquelas que não gosto nada politicamente!

É bom ter a ciência do nosso lado.

Melhor que argumentar pelo medo é ter paixão?

Uma questão de postura

Rui C Pinto, 03.01.11

 

 

Foi, há alguns dias, aprovada a licença de construção do apelidado "mono" do rato. Um projecto arquitectónico de Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus. Perante a aprovação, o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa ter-se-á mostrado surpreendida com o desfecho do processo... (!!!!!!!) Desta forma, o promotor imobiliário retira a acção judicial que levantara aos vereadores que em 2008 se recusaram a licenciar a obra: Helena Roseta e Ruben Carvalho.

 

Já o PSD e o CDS partilharam a opinião de que não compete aos vereadores avaliar a natureza artística da obra, mas sim agir em conformidade com a lei, tal como aconteceu. Na votação de ontem, ambos se abstiveram.

 

Eu tenho que relembrar aqui (porque nunca é demais bater nessa malta que distingue o bom do mau, e até nessa outra malta da boa e da má moeda...) as declarações de Pedro Santana Lopes - à época Presidente da CML - em relação à proposta arquitectónica de Siza Vieira para Alcântara (esse projecto que incendiou a cidade e quase a levou a referendo...), que mostram a sua postura, mas sobretudo, a sua elevação e inteligência:

 

"É bom que tomemos este projecto como um acto de cultura, um acto de desafio à comunidade", disse Santana.

 

Ao eleger um Presidente para a cidade de Lisboa, deve eleger-se uma postura, uma visão, uma forma de olhar o mundo. António Costa pode ser excelente a passar por entre os pingos de chuva, mas nunca estará ao nível do desafio social e cultural que uma cidade como Lisboa representa.

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