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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

Democracia à Sócrates – Livrem-me deste pesadelo!

PsicoConvidado, 09.04.09

Segundo Maquiavel, em política os fins justificam os meios. Os actos do príncipe (ou seja, do governante) não são avaliados de acordo com critérios éticos ou padrões morais – apenas pela sua eficácia na perpetuação do poder.

Discutiu-se durante muito tempo se na história política portuguesa, algum estadista manifestou a virtú maquiavélica. Tradicionalmente, dois nomes são apontados: D. João II (pese embora o seu reinado tenha sido mais marcado por circunstâncias históricas do que por qualquer filosofia política) e Oliveira Salazar. No entanto, este último governou em ditadura com um aparelho repressivo – sendo mais do que natural o seu carácter autoritário. Não, não e não… Esqueçam as teorias que ao longo de anos foram construídas – o verdadeiro Maquiavel português vive actualmente em S. Bento e chama-se Sócrates, José Sócrates.
 
2. Com efeito, é em democracia, com o seu sistema de separação e interdependência de poderes e legitimidade popular, que as instruções que Maquiavel formula para que o Príncipe conserve o seu poder se revelam mais eficiente e descaradamente. E o Sr. Pinto de Sousa (também conhecido por pseudo-engenheiro Sócrates) tem a lição muito bem estudada – parece até que tirou um curso intensivo de interpretação da obra de Maquiavel.
 
3. Um governante para se manter no poder, não basta ser amado – tem que ser temido. Ora, precisamente, Sócrates adoptou o método da persuasão pelo medo. Ou seja, utiliza o peso excessivo que o Estado tem na sociedade portuguesa e o facto de o PS ser o principal partido do funcionalismo público para lançar a incerteza e a dúvida no espírito de muitas pessoas. Poucos têm a ousadia de contestar a medida do Governo pois podem ter um processo disciplinar iminente. Mais: os superiores hierárquicos actuam como comissários políticos do Governo (vide o caso da directora regional da DREN). E mesmo aqueles que deveriam lutar pela independência e liberdade de opinião – os grupos de comunicação social – acabam por ser dominados. Vejam o caso do concurso público para o 5.º canal. As estações privadas manifestam-se contra pois um novo canal levará a um perda das receitas publicitárias. Assim, convém serem simpáticas para o Governo, que até vai intercedendo para as propostas serem rejeitadas e desta forma prolongar o jogo de chantagem com os grupos económicos interessados no sector dos media…
 
4. O Governante não intervém em questões menores, em peanuts, em questiúnculas. Pelo contrário, o Governante é a luz da razão, a sabedoria, o construtor de tudo aquilo que de bom acontece no país (e, no caso de Sócrates, a sua vaidade faz acreditar que na Europa e do Mundo também!). Consequentemente, Sócrates só aparece nas grandes inaugurações, nas cerimónias de entrega do Magalhães, na divulgação de um estudo positivo. Pelo contrário, quando se trata do agravamento do défice, do endividamento do Estado, de uma gaffe de um Ministro, Sua Excelência fica a pairar nas nuvens, serenamente, recusando descer à terra, lugar dos simples mortais. E lá têm que vir os Ministros (coitadinhos!) tropeçarem nas suas palavras, desdobrarem-se em explicações, fazerem figuras ridículas, queimando-se politicamente… Resultado: Governo – índice de popularidade negativo. Primeiro-Ministro: parece que os portugueses gostam dele… (por mais estranho que seja ouvir isto!).
 
Meus amigos psicóticos, esta é a democracia socrática – uma forma de governar que combina formalmente as características da democracia com os métodos e práticas maquiavélicas. A lei e a moral são realidades distintas e completamente desligadas. A lei é um instrumento do poder político. Nada mais.
 
Pergunto: vivemos actualmente numa democracia com práticas autoritárias ou num autoritarismo disfarçado com vestes democráticas? No meio de tantas dúvidas, apenas uma certeza: eu não quero continuar a ser governado por Sócrates. Alguém quer?
 
Psico-Convidado:
João Lemos Esteves

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