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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

Ringue de Ideias do PSD: Miguel Relvas

PsicoConvidado, 18.11.09

 

UM NOVO CICLO

 

Sou militante do Partido Social Democrata há mais de 20 anos. Cresci politicamente no sonho da concretização de um ideal e na luta por causas que o justificavam. Éramos jovens e acreditávamos que era possível fazer de Portugal uma democracia consolidada, um País moderno e desenvolvido, uma Nação com um futuro à altura da sua história e da sua cultura.

 

Honro-me pelo facto de o meu partido ter contribuído decisivamente para os momentos que mais marcaram a nossa história recente. Primeiro, através da acção de Sá Carneiro que deu um contributo inestimável para a “civilização” do nosso regime. Depois, por força da governação de Cavaco Silva, que mudou radicalmente a face do País.

 

Tenho um profundo orgulho no meu partido e na sua obra. Um partido muito especial. Um partido virado para a integração e não para a exclusão.

 

Ganhou quando uniu. Veja-se no exemplo da liderança de Durão Barroso a confirmação dos benefícios do que deve ser uma direcção que promove a unidade na diversidade.

 

Perdeu quando excluiu. Veja-se no exemplo da actual liderança o resultado de um certo sectarismo de que foi fazendo uso, dando ideia de que só contava quem não divergia.

 

É tempo de o PSD quebrar as barreiras do seu “muro de Berlim”. Para este partido nunca houve nem nunca poderá haver os do lado de cá e os do lado de lá.

 

A diversidade é uma força, quando promovida, e um factor diferenciador quando respeitada.

 

Não tenhamos medo do debate. Elejamo-lo como o instrumento de trabalho de que as forças políticas mais necessitam. Não pode dialogar com a população quem não sabe internamente dialogar.

 

O PSD sempre foi um partido interclassista e foi nisso que forjou a sua identidade e o seu músculo político. Este é um dos maiores factores do seu sucesso, ao nível da sua implantação nacional e no plano de acção política concreta.

 

O PSD sempre foi um partido ousado e reformista nas propostas, visionário e estratégico nas políticas e foi por isso que os portugueses nos deram a sua confiança para governar. Os momentos de maior mudança, transformação e modernização de Portugal ficaram a dever-se ao ADN reformista do Partido Social Democrata.

 

O PSD sempre foi um partido alegre, arejado e avançado, nos procedimentos e nas ideias  e foi isso que lhe permitiu integrar uma força politica com o relevo da JSD e promover a adesão de tantos e tantos jovens que em 1981, em 1985, em 1991 e em 2002 foram absolutamente decisivos para as vitórias que o partido obteve.

 

Ousemos acreditar que temos condições para voltar a ser a força política transformadora do País. Mas tal só será possível se empreendermos um caminho de debate e de reflexão que não pode estar limitado por preconceitos e dogmas que não fazem qualquer sentido.

 

O PSD não precisa apenas de um lifting de imagem. Precisa de causas, ideias e propostas para os velhos e os novos problemas, para as actuais e futuras gerações. Precisa de se identificar com os sectores mais dinâmicos da sociedade, na classe média, nos meios universitários e culturais e junto dos jovens. Precisa de voltar a ser um partido activo e atractivo.

 

Este caminho faz-se com todos, renovando, integrando e unindo. E faz-se, sobretudo, virando a página. O partido defensivo, conservador, sem alma nem emoção dos últimos tempos, deve dar lugar a um partido “novo”, com iniciativa, ambição e espírito aberto e reformador, capaz de gerar uma nova esperança em Portugal.

 

Está em marcha um novo ciclo. Neste novo ciclo há que ter ideias e pessoas diferentes. Perceber isto é perceber algo de elementar em política. E quanto mais cedo melhor. Para o Partido e para o País.

 

 

 

Miguel Relvas

 

 

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