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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

PASSOS COELHO ENTRE O DESESPERO E A SALVAÇÃO

João Lemos Esteves, 11.02.10

Confirma-se: Rangel é candidato a líder do PSD. Não é surpresa: na nossa opinião, a candidatura de Rangel foi anunciada por José Pedro Aguiar-Branco,quando teve aquela ideia peregrina de ir a uma acção de propaganda de Passos Coelho, mais concretamente, ao lançamento do seu  folheto de campanha. Afinal, a minha “loucura” (como algumas pessoas gostam de qualificar as análises aqui feitas), os meus cenários “ridículos” e “intriguistas”, concretizaram-se.

Como avaliar o discurso de hoje? Gobalmente, positivo.  Apesar de agendado para um dia de jogo de futebol (o que à partida não seria uma ideia muito feliz), concentrou as atenções mediáticas e teve impacto. Sobretudo, foi um discurso muito inteligente do ponto de vista político: absteve-se de qualquer referência às intrigas internas do partido e , mais do que um discurso para o interior, foi um discurso dirigido ao país – ao invés do que tem sido a estratégia de Passos Coelho, mais centrada no partido e em ataques pessoais aos ex-líderes.  Por outro lado, Rangel apareceu com poucos “notáveis” ou “barões” – o que reforça a ideia política da ruptura por contraponto à simples “mudança” de Passos Coelho. Uma manobra de marketing político excelente.

As reacções dos passos coelhistas mostram bem que Rangel é um adversário temido. Miguel Relvas teve hoje uma intervenção desastrosa: chamou os jornalistas para dizer que Coelho é a verdadeira alternativa ao PS. Esta frase já foi repetida à exaustão, vazia de conteúdo e inútil numa noite em que surge uma candidatura que vai obrigar Passos Coelho a repensar a sua estratégia. A sua juventude de político quarentão  já não pode ser mais utilizada como principal argumento político e sua principal força.

Passos Coelho, como está no terreno há dois anos, começa a perder fulgor. Energia. Dinamismo. Está na sua fase descendente. Enquanto Rangel poderia, desde já (e tomando em consideração que iremos ter um congresso, uma ideia brilhante de Carlos Pinto e Pedro Santana Lopes) partir para uma fase ascendente, ganhar um impulso, um elã, que o poderia levar à vitória. Todavia, vai aparecer um terceiro elemento  que funcionará como o salvador divino do ex-líder da JSD: Pedro Aguiar Branco. Bem sei que ainda não é certa a sua candidatura, pelo que o bom senso ainda pode imperar. Será que as razões pessoais entre Aguiar Branco e Rangel justificam que se entregue numa bandeja dourada a vitória a Passos Coelho? E Aguiar Branco não consegue perceber que não tem perfil de líder, que está excessivamente conotado com a derrota nas legislativas, que não mobiliza votos em directas? Aguiar corre o risco de ser politicamente humilhado (essa ideia dos comentadores de que o líder parlamentar está à frente de Rangel é uma pura ilusão). Sejamos claros: a candidatura de Aguiar-Branco será (ia dizer uma burrice política tremenda,...) um erro monumental de quem quer ser líder à força e não consegue discernir sobre o actual momento do partido e as suas virtudes políticas pessoais. Passos Coelho agradece.

Que a candidatura de Aguiar-Branco seja uma mera partida de Carnaval...

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