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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

Como Libertar o Futuro: (I)

Miguel Nunes Silva, 11.03.10

 

 

Correndo o risco de soar sensaborão, pela primeira vez desde há muito tempo, vejo luz ao fim do túnel.

 

 

Durante anos, ouvimos e lemos sobre os erros que se cometiam por parte do governo e sobre as melhores soluções para os evitar ou corrigir. No entanto, para aqueles que desde há muito reclamavam a educação como prioridade estratégica, o futuro não se adivinhava brilhante.

 

Nenhum governo se compromete com a educação, nenhum governo faz da educação a sua plataforma política e nenhum governo arrisca reformas profundas. Porquê? Porque qualquer reforma da educação é demasiado cara em termos de capital político e a produzir resultados, estes apenas são visíveis a longo prazo, geralmente numa geração, ou seja 25 anos.

 

Uma das desvantagens da democracia é precisamente o pensamento a curto prazo e o sacrifício da visão estratégica em favor da perspectiva táctica.

 

A educação é o sector mais importante a reformar porque é o único que nos permite corrigir os erros do passado nas gerações vindouras, i.e. introduz empirismo na governação das sociedades.

 

A década e meia de Guterrismo-Socratismo fez duas grandes promessas: a “terceira via” do socialismo liberal e o “choque tecnológico”. Mas ambas as promessas foram alicerçadas numa premissa falaciosa, a de que o governo e o poder central podem modernizar a sociedade, qualquer sociedade, de cima para baixo e sem dela dependerem.

 

Comecemos com as promessas: ou bem que é socialismo, ou bem que é liberalismo; não só um Partido Socialista não é o melhor partido para implementar reformas liberais, como o liberalismo não se coaduna com governações centralizadas/centralizantes ou com reformas top-down. Depois temos o choque tecnológico, uma vez mais inspirado pelos modelos escandinavos – sociedades com as quais Portugal tem pouco em comum – tal choque teria que vir da sociedade civil, pois não é possível revolucionar tecnologicamente quem não compreende a necessidade para tal. Talvez uma primeira antevisao deste delírio socialista – termo aqui empregue com toda a sua carga pejorativa – tenham sido os computadores distribuídos aos agricultores na era Guterrista, com a intenção de modernizar a agricultura, e que acabaram a servir de plataformas lúdicas para as respectivas proles.

 

Esta premissa impede a esquerda de ver que o planeamento central se encontra dependente da sociedade na qual se propõe introduzir mudanças, que não há fórmulas universais de governação e que querer modernizar uma sociedade numa legislatura é um sonho tão dissociado da realidade, que apenas a propaganda pode disfarçar o artificialismo de uma visão de tão curto prazo.

 

A esperança reside agora numa confluência de circunstâncias que podem favorecer reformas educativas a longo prazo.

 

Depois de mais de uma década fora do poder, as fileiras do PSD estão repletas de quadros capazes e desejosos de implementar mudanças no país. Existem pessoas à altura de liderar um partido como o PSD – e consequentemente de ascenderem a PM – e encontramos igual excelência nas personalidades presidenciáveis. Por outras palavras, as hipóteses de virmos a ter um governo e uma presidência de direita são boas e a sustentabilidade governativa do PSD poderá dar azo às muito reclamadas reformas na educação.

 

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