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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

Um Alegre candidato

André S. Machado, 04.05.10

 

Manuel Alegre apresentou, formalmente, a sua candidatura à Presidência da República. Assumiu-se como candidato "suprapartidário, mas não neutro"... No fundo, é algo que quer dizer tudo, mas não quer dizer nada.

 

Começando pelo suprapartidarismo: Alegre foi deputado, eleito pelo Partido Socialista, durante 34 anos. Militante do Partido Socialista, desde sempre, chegou a Vice-Presidente da Assembleia da República. As críticas dos últimos quatro anos (motivadas por esta antiga ambição da presidência) não apagam toda uma vida dedicada às causas e às lutas socialistas. Para mais, em substância nunca houve um verdadeiro afastamento político entre Alegre e o PS de Sócrates e prova disso é a participação do "histórico" na última campanha para as legislativas, num declarado apoio a este Governo e suas políticas.

 

Quanto à não neutralidade, penso que é uma opção clara e de coerência política. No entanto, não posso deixar de questionar como é que alguém que se propõe ser "intérprete e representante da Nação no seu todo", pode colocar-se, à partida, nesta posição. Alegre assume-se, como sempre, como rosto da esquerda, mas quando está em causa a Presidência da República está em jogo uma figura de união nacional. Alegre é uma figura de um determinado segmento ideológico que, ainda para mais, é apoiado desde cedo por uma força partidária da esquerda radical.

Nunca um candidato ou Presidente pode ser neutro, a força das convicções não o permitiriam, mas deve sempre fazer um esforço de equidistância. No lançamento de uma candidatura afirmar a não disponibilidade para esse esforço é fechar as portas a outras ideias e outros contributos.

 

A autêntica campanha que Alegre protagonizou nos últimos quatro anos e o lançamento da sua candidatura (mais que esperada) no início de 2010 (mais de um ano antes das presidenciais), são prova de uma ânsia que não é positiva para o poeta, não é positiva para a campanha, nem é positiva para o país: Alegre tem a imagem desgastada, de alguém que não engoliu os resultados de 2006 e desde então tem vindo a fazer a sua própria campanha; O próprio desenvolvimento natural da campanha presidencial foi afectado, porque o anúncio precoce da candidatura de Alegre antecipou tudo o resto; Por fim, o país vê-se mergulhado numa situação muito complicada e depois de meses de eleições voltamos a estas lutas e divisões, quando se impõe um esforço de união nacional para enfrentar os dias difíceis que se adivinham.

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