25 anos unidos
Precisamente amanhã, no meu dia de exame de Direito da União Europeia (terá sido por acaso, pergunta-se?), passarão 25 anos desde a assinatura da Adesão de Portugal às Comunidades Europeias. Devido à disponibilidade, tenho de antecipar este post, mas com a esperança que não levem a mal a minha comemoração antecipada.
A 12 de Junho de 1985, no Mosteiro dos Jerónimos, dava-se um passo de esperança na história portuguesa. Chamo-lhe esperança porque as expectativas eram mais que muitas, do futuro ninguém sabia exactamente o que esperar e uma tradicional postura do Velho Portugal estava a ser ultrapassada.
Já não seríamos mais o país do "orgulhosamente sós". A integração europeia já não seria um universo paralelo para nós. O Estado Novo já não nos poderia apanhar mais...afinal de contas, estaríamos entre Os Democráticos.
Hoje, a Europa foi "uma aposta ganha" (Miguel Relvas), "deu-nos um projecto, uma ambição e uma esperança" (Paulo Rangel).
Mas será que o sonho do português que entrou no mundo místico da integração europeia, não passou de uma ilusão? Como estaremos nós a entrar nesta nova fase de União?
O entusiasmo dos primeiros anos dissipou-se. A estagnação económica e a crise instalaram-se, num país, que por mais segurança que o euro lhe tenha dado, em muito afectou o custo de vida dos portugueses.
A desconfiança adensa-se à procura de bodes expiatórios, havendo quem culpe a Europa por somente cuidar dos interesses das suas potências.
Luís Amado, afirmou aquando entrevistado, que entraremos num novo ciclo. (sugiro a leitura deste artigo, by the way)
De facto estamos num novo ciclo de europeização. Da fase de integração, passámos à fase das decisões. Temos portugueses nos mais variados órgãos e instituições da UE. Participámos nalguns dos passos mais importantes do crescimento da União. E agora, estamos por um fio.
Porque agora, a Europa não é uma garantia que indubitavelmente está ao nosso lado. Neste momento o "Um por Todos e Todos por Um" ameaça desmoronar-se. A crise bateu à porta e ninguém está verdadeiramente preparado para suporta-la.
Põe-se em causa a saída dos elos mais fracos. E Portugal, ainda na cauda, é um elo muito fraco.
A meu ver, virarmo-nos para a Europa foi uma boa aposta. Mas uma relação exige mais do que amor. Precisa de confiança, comunicação e respeito. E nós temos tomado a Europa por salvadora, sem nos querermos salvar a nós próprios. Fará sentido a Europa continuar a suportar sozinha a relação? Afinal de contas, temos exigido respeito, dado provas de confiança e comunicado verdadeiramente com a União? Serão eles os maus da fita ou nós? Poderá a relação ser salva, ou a separação é algo que para além de iminente é inafastável?
Nestes próximos 25 anos, tenho uma nova esperança. Não por ver que as coisas estão mal em terras lusas, querendo que a União salve o meu país. Tenho esperança, que o Portugal de amanhã se queira salvar a si próprio. Sem esperar dependência absoluta dos outros. Sabendo que pode contar com uma mão "mais ou menos amiga", mas com a consciência que essa mão não o vai levantar se ele próprio não fizer nada por isso. Espero luta. Espero que Portugal lute pelo futuro. Por uma hegemonia que talvez nem seja possível1, mas que lute.
1 Será que os objectivos da União não vão para além das suas capacidades? É que se diz que "quem tudo quer, tudo perde".