Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

Janela de oportunidade

Rui C Pinto, 06.01.11

Os EUA e a UE estão a viver tempos difíceis. Todos sabemos. No entanto, a crise em que ambos os blocos se vêem mergulhados potencia uma janela de oportunidade à Europa. Essa estratégia existe, plasmada no projecto Europa 2020, mas corre sérios riscos de redundar num projecto de intenções dado que os governos europeus estão concentrados na gestão financeira dos défices públicos.

 

Com a Casa dos Representantes dominada pelos Republicanos, já é esperado o corte de financiamento à NSF (National Science Foundation). A acontecer, a Europa tem uma oportunidade única de inverter os pesos da balança. Basta, para isso, manter o investimento em I&D, por forma a segurar, na Europa, os seus quadros humanos mais qualificados. Se quiser adoptar uma estratégia mais agressiva basta cumprir a estratégia do Europa 2020, reforçando o financiamento e procurando atrair os quadros norte-americanos.

 

Quando se fala no investimento em I&D, está-se a falar de uma fatia de população altamente qualificada e um sector industrial altamente lucrativo que se desloca em função dos recursos humanos... O estado de Massachusetts tornou-se, em 30 anos, líder a nível mundial de indústria farmacêutica, destronando todos os pesos pesados que a viram florescer: Alemanha, Suíça e Reino Unido, graças ao MIT e a Harvard. A UE tem de fazer este esforço se quiser afirmar-se economicamente neste século, porque do ponto de vista industrial e produtivo, os países do BRIC vão inevitavelmente afirmar-se. Resta-nos investir em I&D.

 

Se a UE está atrasada em 10 anos, em relação aos EUA, no domínio científico, Portugal leva um atraso de 50... Por isso, em tempos de crise, era fundamental que houvesse um investimento seguro e coerente nesta estratégia. Portugal já atrai todos os anos centenas de investigadores, sobretudo da Europa, Índia e China. Mas deveríamos competir pelos melhores, e isso significa apostar financeiramente nesta área. A Fundação Champalimaud ou a Fundação Gulbenkian estão aí para provar que Portugal pode atrair os melhores cérebros a nível internacional. Atrás deles virá indústria e investimento.

Em 2010, a Fundação para a Ciência e Tecnologia dispôs de 6,5 milhões de euros para financiamento de Projectos de Investigação Científica, praticamente o mesmo que o Governo Regional da Madeira gastou (5,2 milhões de euros) para festejar o Natal e o Ano Novo... Isto basta para percebermos que podemos fazer mais, muito mais... Basta estratégia...

5 comentários

Comentar post