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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

PsicoConvidado Ricardo Campelo de Magalhães

PsicoConvidado, 09.02.11

A luta que interessa

 

 

 

Ideologia. Depois d’O Fim da História, quando pareciam não fazer mais sentido lutas ideológicas, quando todo o governo parecia ser cientificamente gerido e quando a definição de “progresso” parecia ter sido encontrada nos países escandinavos... a realidade bateu à porta. Não, a nossa sociedade não é cientificamente e não é imune a crises. Sim, o modelo nórdico pode falir (Islândia) ou levar a dívidas externas superiores à grega (todos eles!) (Link para “todos eles”: http://www.cnbc.com/id/30308959/The_World_s_Biggest_Debtor_Nations). E não, Obama não fica acima da luta ideológica e é apenas mais um dos presidentes ao serviço da Goldman Sachs (Link para “Goldman Sachs”: http://www.youtube.com/watch?v=ExBE651_vOY).

 

Verdade. A verdade é que esta situação há muito que se acumulava. O mundo anda a viver acima das suas possibilidades e há muito tempo. Como ver isso? Eu aprendi a olhar para a fonte do dinheiro: a politica monetária das principais economias.

 

História. Há muito tempo que as sociedades ocidentais andam a mentir a si próprias. Desde o “Gold-exchange Standard” (1925), em que apenas o Reino Unido e os Estados Unidos mantiveram o padrão-ouro, passando por Bretton Woods (1944) em que apenas os Estados Unidos o mantiveram, e pelo Nixon Shock (1971) em que este foi finalmente eliminado, que a situação se foi deteriorando, especialmente depois deste último evento.

 

Mentiras. Mais e mais ilusões foram sendo acrescentadas, desde a mudança na taxa de inflação (uma necessidade, em face do parágrafo anterior), taxa de crescimento real (consequência directa da anterior), a mudança na taxa de desemprego (hoje em 22% nos EUA e num valor próximo em Portugal, se usado o método usado nos anos 30, que contava com desencorajados e várias situações de sub-emprego), desorçamentação para esconder défices, confusão entre produção e consumo entre outras, como podem ver aqui. (link no “aqui”: http://www.youtube.com/watch?v=zPkTItOXuN0)

 

Status Quo. Quem ganha com esta ilusão? Obviamente o Status Quo. Não os capitalistas (empreendedores é a palavra mais fiel ao termo hoje em dia), não os trabalhadores (eu e tu), mas o Governo, a Banca e as empresas militares. Todos lucram (e muito) com o estado actual das coisas. Como? Fácil: criando o dinheiro.

 

Dinheiro. O que é o dinheiro? Qualquer estudante de Economia diria que é RUM: Reserva de valor, Unidade monetária e Meio de pagamento. Como apareceu? Devido às dificuldades da troca directa – necessidade de coincidência de preferências: ambos queremos exactamente o que o outro tem para trocar – um bem era usado como unidade monetária. Como surgiu o  ouro? As pessoas começaram a carregar ouro nos seus bolsos por este ser universalmente desejável, homogéneo, divisível, transportável e não perecível. Como surgiu a banca? A banca surgiu para guardar ouro e emitir certificados mas, como em geral as pessoas não levantavam o ouro e simplesmente circulavam os certificados, os bancos começaram a cometer o erro de emitir mais do que os correspondentes ao que tinham nos cofres, para emprestar.  Qual  o problema? O problema surge quando  os bancos começaram a emitir tantos certificados que as pessoas começaram a temer que os seus certificados não correspondiam a nada de valor, pois se todos levantassem os certificados, não haveria ouro para todos.

 

Estado. Como entra o governo na figura? Os governos sempre fizeram guerras. Para as financiar, os impostos sempre pareceram maus pois as populações sentiam o efeito no bolso. Assim, começaram a cunhar moedas mais pequenas e a aparar as anteriores. Os romanos fizeram-no, a nossa 1ª dinastia fê-lo, todos os reis europeus fizeram-no... até inventarem aqueles “certificados”. A partir daí, bastava pedir dinheiro aos banqueiros. E claro que os banqueiros não tinham dinheiro para financiar as Guerras Napoleónicas: simplesmente emitiam “certificados” e davam aos governos. Consequências? Com o passar do tempo, mais certificados circulavam e os bens subiam de preços (básico: o que há a mais perde valor  o que há a menos torna-se mais valioso). Para alem de inflação, perdia-se a credibilidade no valor desses “certificados”... até se criarem bancos centrais. Este testando a população foram abandonando o padrão-ouro paulatinamente até se chegar a 15 de Agosto 1971. Agora, todos imprimem “certificados” e é ver o valor do ouro a subir.

Ricardo, fizeste-nos perder tempo. Porque é isto importante?!?

 

Importância. Porque sem moeda estável, muitas coisas que para vocês são pressupostos base do dia-a-dia desaparecem. Lembram-se do RUM? Sem moeda estável, não há Reserva de valor: O que pouparem hoje, valerá menos amanhã. Se quiserem manter o poder de compra, terão de se tornar especuladores e deixarem de ser aforradores (a.k.a. “Stupid” em tempos desses). Sem moeda estável, não há Unidade de conta: “Esta casa vale um milhão de Euros”, “Mas quais, dos Euros do ano em que foi construída ou actuais?”. Sem moeda estável, não há meio de pagamento confiável: exporta-se com base em que taxa de câmbio? Vende-se arte a prazo a que taxa de juro de actualização? Que moeda os árabes aceitam para importar petróleo? O comércio diminui e com essa redução reduzem-se as vantagens trazidas por este.

 

Causas. O que se pode fazer? Educarem-se sobre o tema. E mais importante, lutar por causas. Pôr fim aos bailouts bancários ou, no mínimo, não pagar juros em depósitos ridículos com taxas de 7%, por muitos anos, garantidos a antigos clientes BPP. Obrigar os bancos a deterem 100% do valor detido em depósitos à ordem, sem juros pagos, e os

 investidores a assumirem “risco bancário” em depósitos a prazo, com o pagamento do juro correspondente. Terminar a emissão de moeda pelos bancos centrais/regressar ao Padrão-Ouro. Diminuir o papel do Estado na Economia, começando por fechar Institutos Públicos não auditados e por desistir de infra-estruturas que nenhum privado afirma fazerem falta. Impor o choque fiscal prometido por Durão Barroso, sobretudo nos impostos sobre o trabalho. E sobretudo diminuir o peso da dívida pública, cujo juro consome a fatia de leão do nosso IRS e cuja factura é superior à da educação.

 

Isto, se quiserem melhorar o vosso nível de vida e terem uma pensão mínima na vossa velhice, claro.

 

PsicoConvidado Ricardo Campelo de Magalhães

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