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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

Paroles, paroles

Essi Silva, 13.04.11

 

Paroles, paroles, paroles
Ecoute-moi.
Paroles, paroles, paroles
Je t'en prie.
Paroles, paroles, paroles
Je te jure.
Paroles, paroles, paroles, paroles, paroles
encore des paroles que tu sèmes au vent

 

As palavras fáceis, as palavras frágeis, que um homem casado recita à sua amante, com uma promessa que nunca cumprirá.

À beira de praticamente 37 anos de democracia, deixámo-nos à sombra das bananeiras europeias que têm permitido promessas de evolução, que se deu momentâneamente mas que se remeteu ao retrocesso. Lembra-me a fábula da formiga e da cigarra, tirando o aspecto que a cigarra no nosso país é mais recompensada que a formiga que trabalha.

 

A revolução que prometeu garantias, liberdades e direitos, foi um vento de mudança e de esperança. Mas a realidade foi encapotada e hoje, o nosso povo vive de novo a incerteza e insatisfação, mas com uma agravante: pode gritar e reclamar, mas a sua voz é ignorada.

 

A economista Estela Barbot, única portuguesa no FMI, preocupa-se seriamente com a imagem do país. Um país que cada vez mais se parece integrar no grupo dos países do terceiro mundo, que estendem a mão à caridade. Aponta o dedo a Sócrates e afirma que o país vai pagar muito caro. Mas, não pagámos o suficiente?

 

36 anos idos, findou-se uma guerra que gangrenou o nosso país, prometeu-se acabar com a pobreza, acabou-se com um regime que ensurdecia as pessoas para a realidade, e colocava em mute tudo aquilo que fosse incoveniente.

E mesmo assim, a nossa democracia tem sido uma farsa tal, que entre vozes que pedem uma nova revolução  - para quê? mudar de regime? como? - existem vozes que se arrependem da glória dos cravos.


O que mais choca, é Otelo Saraiva de Carvalho, afirmar que Não teria feito o 25 de Abril se pensasse que íamos cair na situação em que estamos actualmente. Teria pedido a demissão de oficial do Exército e, se calhar, como muitos jovens têm feito actualmente, tinha ido para o estrangeiro. Os argumentos são simples: O 25 de Abril é feito em termos de pensamento político, com a vontade firme de mudar a situação e desenvolver rapidamente o nível económico, social e cultural do povo. Isso não foi feito, ou feito muito lentamente. Fizeram-se coisas importantes no campo da educação e da saúde, mas muito delas têm vindo a ser cortadas agora outra vez.

 

Quem são os parolos? Aqueles que se conformaram com a liderança socialista, aqueles que esperaram que a democracia se desenvolvesse sozinha, os que se arrependem do que fizeram há 36 anos, os que ainda hoje prestam atenção à voz de José Sócrates, ou aqueles que lutam por um país melhor?

 

Meus caros, o culto do chefe, a pobreza e injustiça, a censura e o complexo de superioridade não morreu com o 25 de Abril.

Mas vamos tentar silenciá-lo de vez e merecer uma revolução que nos deu asas para pensar, falar e viver.

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