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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

The Iron Lady

João Casaca, 08.05.20

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Fez esta  semana 41 anos que Margaret Thatcher tomou posse como primeira ministra do Reino Unido:

- Promoveu uma parcial desestatização da economia do Reino Unido através de privatizações;

- Reduziu a intervenção do Estado na economia, implementando uma economia de mercado;

- Defendeu a otimização dos serviços através da privatização de empresas estatais;

- Reduziu os impostos diretos;

- Combateu os sindicatos;

- Diminuiu o desemprego;

- Defendeu a flexibilização dos mercados de trabalho;

- Conseguiu que a economia crescesse de uma forma extraordinária;

- Sempre lutou pela liberdade;

De Thatcher ficaram famosas algumas frases:

-  "O Socialismo dura  até acabar o dinheiro dos outros" ;

- "Os Socialistas preferem que os pobres sejam mais pobres, se assim os ricos forem menos ricos" ;

- "O feminismo é puro veneno" ;

- " Quem defende que uma pessoa deve receber sem trabalhar, defende que outras devem trabalhar sem receber" ;

- "Acredito no direito das pessoas trabalharem como quiserem, de gastarem o que quiserem, de serem donos das suas propriedades e de terem o Estado para lhes servir e não como seu dono. Esta é a essência de um país livre e destas liberdades dependem todas as outras" ;

- "Todo o Socialista é um fracassado que acha que as pessoas de sucesso lhe devem alguma coisa" ;

   Thatcher será sempre lembrada como uma excelente governante, que sempre lutou pela liberdade. Quando Thatcher faleceu o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse " O mundo perdeu hoje uma das maiores defensoras da liberdade ".
 
#tatcher4ever
 
 
 
 
 

Afeições

Gustavo, 01.05.20

As escolhas do secretário-de-estado dos assuntos parlamentares José Duarte Cordeiro para o seu gabinete causaram polémica nos media Portugueses. Além de Daniel Silva Soares (dirigente da juventude Socialista, assessor da vereação da CML, candidato a presidente da junta de freguesia de Carnide) e de André Santos Pereira (presidente da federação académica de Lisboa e - dizia-se - afilhado de batismo do ministro Manuel Heitor), o governante escolheu a companheira do antecessor (e agora ministro) Pedro Nuno Santos para chefiar o seu gabinete. Em 2016, enquanto vice-presidente da CML, escolhera a polémica líder da JS Cristina Begonha para integrar a sua equipa de trabalho. Este enovelamento relacional, não nos devia chocar; Foi mote da presente governação, bem como o fora no município capital. A desregulação dos exercícios nominativos permite não fazer uso de quaisquer critérios além do jargão “confiança política” onde, como na bolsa de Mary Poppins, cabe tudo. Por isso, no portal base, se lhes encontram amigos, familiares, colegas de faculdade, vizinhos e amantes; Dos paços do concelho ao palácio de São Bento verifica-se o aforismo “Portugal é um país pequeno e a aristocracia Lisboeta é ainda mais pequena”.

"Política: A Grande Porca" fora capa do jornal 'A Paródia' concebida por Rafael Bordalo Pinheiro em 1900

A oposição acusa cleptocracia e nepotismo. É inexato: Um país sem recursos de exploração fácil não oferece facilidades de enriquecimento massivo através do Estado e o exemplo recente de Armando Vara afasta tentações prevaricadoras. Por outro lado, um governo radicalmente centrado no Primeiro-Ministro e condicionado pela geringonça - ora formalizada por tratados esdrúxulos, ora subreptícia e oficiosa - não permite a divisão e distribuição de poderes apetecíveis, enquanto as gritantes carências orçamentais impedem a realização de reformas marcantes ou a construção de obras emblemáticas; assim o terá percebeu Pedro Marques antes de ameaçar a demissão do governo. Portanto, ademais a remuneração em vencimento e vaidade, estas e outras designações significarão muito pouco.

A quantidade de jornalistas e opinion-makers que tem defendido tal rol seletivo, provam a minha suposição. Nenhum deles imagina o primeiro ministro perscrutando milhares de currículos buscando pela governante indicada, ou crê o secretário-de-estado indagando copiosamente por uma técnica à altura. Todavia, fazem a defesa acirrada das competências “da Mariana” ou das capacidades “da Catarina” demonstrando uma intimidade inadequada e injustificada de quem quer apreciar, com profissionalismo, o desempenho ministra da presidência e da modernização administrativa ou ao labor da chefe de gabinete do secretário de estado dos assuntos parlamentares. Noutrora, o tratamento pelo primeiro nome era reservado aos “colegas da escola”; Questiono-me se os mencionados terão frequentado a mesma escola.
Câmara de Lisboa. Avenças em gabinetes do PS chegam a aumentar 80 ...

Pedro Nuno frequentou. O ex-secretário de estado tutelar da pasta que contractou Catarina Gamboa, sentiu-se na necessidade de vir a público defender a honra ferida da companheira – É um apologista devoto da emancipação feminina. Pior: a justificação enternecedora da sua afeição matrimonial interessa menos aos Portugueses do que a afeição do dito sucessor no governo (como o fora na JS); falando em prol da secretaria de estado de cuja tutela abdicou no governo anterior, suprimiu, no processo, qualquer respeito institucional à presente orgânica do governo. Mas da narrativa delicodoce que publicou no Facebook – canal comunicativo adequado à maturidade de um membro do governo – extrai-se a ambiência em que esta geração de dirigentes foi profissionalmente moldada. Estudantes de licenciatura, aos 26, na faculdade, batalhando arduamente pelas sub-estruturas da Jota, conta como forjou cumplicidades que se preservaram até aos interstícios do governo atual. Hoje serão, nas palavras do escritor Hugo Gonçalves, “uma versão mais grisalha e engravatada da política das associações académicas - incompetente, provinciana, oportunista, vaidosa, desinteressante, de palmadinha nas costas, impune” onde os grupos amigos se transvertem em grupos de estudo, amalgamam em direcções associativas, encalçam na militância juvenil, “nas férias, no trabalho, na política, ao almoço e ao jantar” “vivendo juntos” nas palavras de Vasco Pulido Valente, “quase na promiscuidade”. Aí, o trabalho político confunde-se à folia e ninguém sabe onde termina a cumplicidade e toma início a relação laboral. Por isso as estruturas se tornam endogâmicas e fechadas, a criatividade é recebida com desconfiança, a renovação é interpretada como ameaçadora, a objeção é tida por ofensiva e a opinião implica rutura. “Bem, ao menos não há tunas nem tipos aos saltos a tocar pandeireta”, completa o romancista.
Jovens turcos do PS em contenção
Desde então, de nomeação em nomeação, os da Jota – rebeldes “jovens turcos” – chegaram aos quarentas escusando-se de assumir as agruras da idade, de enfrentar dores de crescimento: procedimentos concursais, construção curricular, seriações enviesadas, entrevistas de emprego, negociações de linhas de crédito para microempresas e a omnipresente possibilidade de darem por si desempregados – fora a questão salarial. Por isso, apesar dos filhos, mantém o registo, a informalidade, a dialética, as tradições lúdicas e o mesmo círculo de relações, ora pessoais, ora partidárias, ora na câmara municipal, ora no governo. A insistência em tornear a Juventude Socialista (Pedro Nuno foi inédita e injustificadamente orador no último congresso da organização sub-30) é disso sintomático.

O ministro (42 anos) foi orador inédito do congresso da organização sub-30 que é estatutariamente autónoma do Partido Socialista

 


Ao contrário do que garantem muitos comentadores cúmplices, não é a ideologia que os demarca. O Socialismo Democrático a que alardeiam, significaria impedir a reprodução de privilégios de casta ou a propagação de poderes fácticos ao longo de dinastias, permitindo que a participação política de um operário tivesse tanto poder como a participação política de um magnata, que o filho de um jornaleiro pudesse governar. As regalias com que a oligarquia se banqueteia, prerrogativas classistas entregues a estes descendentes da alta burguesia pela tortuosa via do poder político, são necessariamente antinómicas aos ideais do Socialismo. Na atual conjuntura, contudo, ninguém saiba bem onde termina o Partido Socialista e toma início o governo. Para infelicidade dos apologistas de democracias transparentes, os dois governantes são também dirigentes do PS com o encargo de completarem listas parlamentares ou selecionarem candidatos autárquicos. Exceto se todos os 230 nomes forem escrutinados aquando das próximas legislativas, semelhante endogamia marcará o passo de então.

Dir-me-ão que na geração anterior se passou o mesmo – entre Augusto Santos Silva, Ferro Rodrigues, Vieira da Silva (Pai) ou Maria de Lurdes Rodrigues. Porém no seu tempo, a formação superior era rara, os quadros disponíveis eram escassos e a classe média-alta subsistia em circuito fechado, num país isolado e de fronteiras obstruídas. Foi precisamente para contrariar esse registo que todas as medidas de transformação social (a escola pública, o ensino superior tendencialmente gratuito, a ação social escolar, os programas Erasmus e Erasmus+, a inclusão Europeia e mesmo própria democracia) foram tomadas. É o fracasso destas medidas que emana dos despachos emitidos pelo secretário-de-estado dos assuntos parlamentares, que se encontra no Eurobarómetro de 2018 (só 17 % dos Portugueses confiam nos Partidos Políticos) e no Índice de Distância ao Poder (63 % dos eleitores Portugueses sentem-se apartados da decisão política) – uma distância bijetiva, com políticos igualmente apartados dos Portugueses, por nunca terem saído dos bancos do ISEG.

Cinquenta Estados da Doença

Arrogância, Ignorância e outros Pecados Mortais “Trumpianos”

Daniel Seco Aragão, 27.04.20

                   

 

Não sou epidemiologista, nem tão pouco especialista em saúde. O que aqui escrevo é baseado em algum trabalho de investigação e opinião pessoal. Os dados dos vários indicadores que mencionarei são de 2017 e 2018.  

                    Os EUA são a maior potência económica mundial, mas serão a mais sã? 

                    Os gastos públicos per capita com a saúde nos EUA são semelhantes a muitos dos países da OCDE. Os gastos totais, que incluem os privados per capita, excedem largamente, sendo que, em percentagem do PIB, ascendem ao dobro da média dos países da OCDE. 

                   How Does the U.S. Healthcare System Compare to Other Countries?

                    Curiosamente, apesar destes gastos astronómicos, os dados tendem a não ser simpáticos para os cidadãos norte-americanos. Face à média da OCDE, 40% são obesos, o dobro desta média; a sua Esperança Média de Vida à nascença (EMV) é dois anos inferior; têm mais 10% de incidência de doenças crónicas; menos 41% de média de consultas médicas per capita; menos 26% de médicos por mil habitantes. É certo que apresenta dados positivos, como uma maior percentagem de população idosa imunizada, de mamografias, mais ressonâncias magnéticas e cirurgias de colocação de próteses na anca por mil habitantes, entre outros.              

                    A EMV nos EUA é muito díspar quanto à cor da pele.  À nascença, é espectável que os cidadãos negros vivam, em média, menos 3 anos que os brancos. Isto revelará uma desigualdade em relação ao acesso aos cuidados de saúde. Olhando para a população abaixo do limiar de pobreza neste país, em percentagem, há o dobro de cidadãos negros nesta condição, face aos brancos. Ou seja, haverá uma efetiva disparidade no acesso à saúde neste país, privando aqueles que menos recursos têm deste direito fundamental.

                    Este país gasta mais do que a maioria dos seus pares e tem um resultado muito pior. Porque será? A resposta pode residir numa brutal especulação de preços, numa administração complexa, fraude e abuso, entre outros, que levam ao desperdício de 25% do que é investido no setor da saúde.         

                    Para além de uma gestão deficiente e desigual dos recursos, a esta verdadeira receita para o desastre junta-se um Chef, especializado em pratos típicos de arrogância e ignorância, para que seja servido um buffet mortal.      

                    Donald J. Trump, Presidente dos EUA, ao longo do seu mandato tem tomado uma série de posições questionáveis, mas focar-me-ei apenas na sua ação em relação à saúde.Na primavera de 2018 demitiu a Direção do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca para Segurança Global em Saúde e Bio defesa. Esta tinha já lidado com crises epidemiológicas associadas ao vírus Ébola e Zika.          

                    Este departamento é essencial, pois permite um planeamento constante de resposta a situações epidémicas. Este despedimento, bem como diversos cortes de fundos federais para a saúde, em especial para a prevenção de situações como a que vivemos hoje, tornou os EUA ainda mais frágeis.  

                    O Presidente dos EUA ignorou diversos relatórios de agências de inteligência norte-americana, que lhe chegaram às mãos em janeiro e fevereiro e que o advertiam da dimensão que a doença poderia tomar. No final do mês de janeiro, após a deteção do primeiro caso nos EUA, foram restritas as viagens vindas da China. Donald Trump não deixou de, por várias vezes, se referir à Covid-19 como uma gripe normal, com uma baixa taxa de mortalidade, o que é falso, visto que este vírus é muito mais transmissível, mais mortal e ainda não tem vacina que permita imunização. Mesmo quando o assunto se começou a tornar bastante sério neste país, chegou a afirmar que o vírus desapareceria miraculosamente.

                    A 13 de março, dois dias após a declaração deste vírus como pandémico, foi declarado o estado de emergência nacional, quando haviam sido detetados mais de 2000 casos neste país.            

                    No dia 27 de abril registaram-se quase 1 milhão casos detetados e perto de 56 mil mortos.       

                    Este é o resultado da combinação de uma provisão deficiente e desigual de cuidados de saúde com a ignorância e arrogância de alguém que comanda os destinos de um país. A sua constante insistência em ignorar a ameaça premente, em negar a aplicação atempada de medidas preventivas (como o distanciamento social e a realização de testes em massa), levaram à perda de tempo precioso e, consequentemente, de vidas. Não é no seu currículo que mais pesarão estes verdadeiros pecados mortais, mas nos corações dos norte-americanos que, de súbito, se viram privados dos seus entes queridos.

                    Apesar do desastre já provocado, este presidente teima em não seguir os conselhos da comunidade científica, como se verificou quando, antes de estar comprovada a sua eficácia, aconselhou vivamente (ou mortalmente) a utilização de hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19. Este fármaco é prejudicial para o coração e, como o vírus o debilita, a administração deste medicamento pode ser perigosa.

                    Estes pecados devem servir de exemplo de como não atear um país, transformando-o num inferno. É certo que Donald Trump não é culpado pelo surgimento do vírus, mas o seu comportamento errático e irresponsável impediu a adoção de políticas preventivas intensivas com meses de antecedência, o que poderia ter salvo muitos.     

                    Estes 50 estados da doença mostram o quão frágil e suscetível os EUA são. A saúde é um direito essencial e intrínseco ao ser humano, pelo que deve ser protegido e garantido. Após esta calamidade, os EUA deverão repensar o seu sistema de saúde e as escolhas que fazem enquanto eleitores.

    D. Gonçalves da Silva

Afinal há outro 25 de Abril...cada um ao seu!!!

João Casaca, 26.04.20

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"(...) o senhor D. Miguel I o rei de Portugal, Algarves e seus domínios, à imitação do que se tem praticado em muitas outras cidades do mesmo reino de Portugal desde o dia 25 de Abril próximo passado: aconteceu que, achando-se já reunida a referida Câmara para entrar na mencionada deliberação, os povos que em grande número se achavam reunidos na praça pública, onde existe o edifício do mesmo senado unanimemente, e sem esperar tal deliberação rompeu nos mais inflamados vivas ao senhor D. Miguel I, rei de Portugal, Algarves e seus domínios, no que gostosamente apareceu conforme a mesma Câmara: a nobreza, clero e povo, que se achavam reunidos dentro no edifício, e que reconheceram ociosa semelhante deliberação tornando-se portanto este auto de vereação em um verdadeiro auto de aclamação do referido senhor, o Muito Alto e Poderoso D. Miguel I, Rei de Portugal, Algarves e seus domínios, pelo perfeito conhecimento que tem toda esta cidade, e jurisdição que ele é o nosso único e legítimo Rei natural, depois do falecimento d’el-rei o senhor D. João VI de gloriosa memória."

Aclamação do infante D. Miguel, como rei de Portugal, in "Anais da Ilha Terceira", por Francisco Ferreira Drummond

#25deAbrilSempre
#DMiguel4ever

 

 

Liberdade só de alguns é Ditadura

Matilde Carvalho, 19.04.20
O dia 25 de Abril é o dia em que celebramos a liberdade. Mas fará sentido celebrar a nossa liberdade quando não a temos? Pelo visto, para o parlamento, faz, pois aprovou a sua comemoração. Afinal, será que somos livres neste longo e difícil período?

Os nossos representantes acham que é fundamental comemorar este dia. Mas, o evento é necessário e imprescindível para Portugal? É uma necessidade básica e essencial para os portugueses? Creio que não.

Ver os nossos representantes desrespeitarem o povo português e as pessoas que os elegeram foi algo que nunca pensei ver! Acho uma hipocrisia tremenda de todos os que tiveram responsabilidade na proposta, e ainda mais dos que a deixaram ir para a frente. 

Impuseram-me estado de emergência, a mim e a todos os portugueses. Criticam todos os que não o cumprem. Souberam pedir às pessoas para ficarem em casa, impuseram que os portugueses só saíssem de casa para fazer o essencial e o necessário. Literalmente os portugueses ficaram com a sua vida em suspenso para um bem comum, para o bem de todos nós. 

Vamos celebrar a liberdade quando existem pessoas neste país que não se podem despedir dos seus entes queridos? Vamos comemorar o 25 de Abril quando estamos no 3º estado de emergência? Vamos celebrar a liberdade quando as nossas crianças e jovens não podem ir à escola? Vamos comemorar a liberdade quando nem um abraço, um gesto tão simples, podemos dar? Vamos comemorar o 25 de Abril por todos aqueles que deixaram de fazer o que mais gostavam e por todos os que deixaram de assinalar as datas mais importantes das suas vidas? Vamos celebrar a liberdade quando estamos impedidos de sair de casa e muitos estão sozinhos? Que liberdade é esta que estamos a comemorar?!

As figuras de Estado e todos os demais tem a obrigação de cumprir o estado de emergência, assim como o pediram a todos nós. Não o fazer é uma traição. E é - pior do que tudo - um mau exemplo. 

Quando a pandemia chegou a Portugal, começou a circular uma frase muito clara: “Aos vossos avós pediram para ir para a guerra; a vocês pedem-vos para ficar em casa”. Infelizmente, nem todos a perceberam. Vamos ver se percebem esta: “Se o Papa celebrou a Páscoa sozinho, por que não celebram este dia sozinhos?”

Se todos formos responsáveis e cumprirmos o nosso dever, talvez possamos celebrar à Liberdade... novamente em liberdade.

Nem o Corona nos cala!

Psicolaranja, 09.04.20

capa perfil.jpegO O Psicolaranja abre hoje, oficialmente, os Psico Quarentemas!

Nos próximos tempos, teremos várias conversas no Zoom sobre a pandemia que nos vem afetando. Estão todos COVIDados a participar nestes eventos, conversando com os brilhantes oradores que se juntam a nós.

Hoje, dia 9 de Abril, pelas 22h, iremos abordar o tema “Covid-19: o que se espera da Europa?”, com Carlos Coelho, umas das vozes mais conhecedoras da União Europeia e suas instituições. 

Para se juntarem a nós, basta acederem ao link: https://zoom.us/j/344420158


Será que temos uma escola inclusiva?

Matilde Carvalho, 09.03.20

Sonho com uma escola em que todos os alunos sentem que fazem parte dela. Um lugar de crescimento, que valoriza a diferença e não o contrário.
Mas, afinal, será que a escola promove a inclusão?
Não, infelizmente, não.
Os alunos que sofrem mais são os alunos com necessidades educativas especiais. O Decreto-lei 3/2008 veio proteger estes alunos com uma série de medidas que se ajustavam a cada aluno face às suas necessidades, permitindo, assim, uma maior equidade em termos de aprendizagem e de avaliação.
Com substituição deste Decreto pelo 54/2018 com intuito de promover uma escola inclusiva, acabou por prejudicar os alunos em alguns aspetos, na medida em que é ambíguo e inconclusivo relativamente às medidas e aos alunos que estão abrangidos.
Ainda temos um grande e longo caminho a percorrer relativamente à desinformação que existe nesta área e de como lidar com estes problemas.
As desigualdades são visíveis aos olhos de todos… Um aluno com dislexia pode beneficiar de mais tempo para realizar um teste, o que faz todo o sentido, visto que demora mais tempo a compreender as frases e não só. Então, porque é que estes alunos não beneficiam de mais tempo nos exames nacionais? Segundo o Guia para Aplicação de Adaptações na Realização de Provas e Exames – JNE. «A adaptação “tempo suplementar” destina‐se a alunos que realizam provas ou exames cuja duração e tolerância regulamentares se prevê não serem suficientes para a realização dos mesmos, (…). Excetuam‐se da aplicação desta adaptação as situações de dislexia ou de perturbação de hiperatividade com défice de atenção. Nestas situações apenas se pode recorrer à tolerância regulamentar aplicável à generalidade dos alunos.»
Afinal, é tudo menos inclusiva! A aplicação da Ficha A não chega para um aluno disléxico. É preciso mais. É injusto para um aluno com Dislexia, défice de atenção e hiperatividade não poder ter mais tempo num exame nacional, e é aqui nesta medida que vemos a desvalorização da diferença. O grave é não garantir ferramentas necessárias a alunos com necessidades educativas especiais para chegarem onde todos os outros chegam, isto é tudo menos inclusão. Eu diria que é mesmo um caso de exclusão da diferença.
É preocupante perceber que existe uma grande desinformação por parte dos professores e da comunidade educativa, que não sabe lidar com estes casos.
Ao mesmo tempo é relevante salientar que nem todas as escolas têm conhecimento do apoio que existe no acesso à faculdade a alunos com necessidades educativas especiais, nomeadamente o contingente especial para candidatos com deficiência, que garante a estes alunos uma maior facilidade ao acesso no ensino superior.
E, da mesma forma, a sociedade também não tem consciência de que um aluno que aceda ao ensino superior através deste contingente especial não tem acesso imediato ao estatuto de aluno com necessidades educativas especiais. Quando um aluno se candidata por este regime é por necessidade de medidas compensatórias para garantir que está em pé de igualdade com todos os outros. Se assim é, o estatuto devia ser-lhe imediatamente atribuído. Por que razão isso não acontece? Porque o diploma do aluno com necessidades educativas especiais é diferente dos restantes e alguns estudantes que acedem ao ensino superior por este regime preferem ter um diploma “normal”, rejeitando por isso as condições de aluno “especial”.
Em primeiro lugar, a diferenciação nos diplomas é uma discriminação grave. Uma discriminação de que não gosto, mas que tolero. Em segundo lugar, faz sentido um aluno candidatar-se por este regime quando não tem intenções de usufruir de nenhum estatuto, só para ter mais facilidade em entrar na faculdade deixando de fora um aluno que se candidata pelo contingente geral?
Sim, a deficiência existe e ao descaracterizá-la só promovemos a exclusão. Não se promove a inclusão cometendo estas injustiças para com alunos com necessidades educativas especiais, porque, afinal, somos todos jovens com sonhos e com objetivos e não é a diferença que nos diminui.

Queres um aeroporto? Espera mais 50 anos

Matilde Carvalho, 27.02.20
Ainda não era nascida e já se falava num novo aeroporto para dar assistência ao da Portela. Passados quarenta anos ainda se continua a discutir onde vai ser o aeroporto. Primeiramente era Beja, agora já passámos para a batalha ”Montijo vs Alcochete”. Mas, calma, que isto não fica por aqui... a partir de agora quem faz frente ao governo leva com o argumento "mudasse a lei!". Não sei se deva rir ou chorar com tanta ignorância junta. Ver um governo que não respeita a população que irá ser afetada e que não respeita o parecer das autarquias locais é triste.

Mas, atenção que a história não acaba aqui... Ainda não veio à discussão pública se é necessário um segundo aeroporto face ao da Portela, na medida em que pode descaracterizar a nossa capital.

Efetivamente a novela já parece ter fim mas até que surge uma nova cena. O Montijo já não serve pois a pista é muito pequena e ainda ninguém pensou que com a subida do nível da água do mar têm de distribuir galochas aos passageiros para saírem do avião... e lá vem a Greta dizer que avisou...

Quer se vá fazer um aeroporto quer não, só sei que não deixa de ser irónico o aeroporto de Beja albergar um dos maiores aviões do mundo e que serviu para resgatar pessoas da China.

 

O melhor mesmo é não construir nada e só falta dizer que o melhor é construir no oceano Atlântico...

E ainda falam da Joacine e do Ventura

Essi Silva, 06.02.20

Andam a fumar umas coisas ou a beber uns bagaços a mais. Ou então a mulher de César andou aí com um Marco António qualquer e nós não sabemos. 

É que só isso justifica que os nossos deputados tenham andado a dar tiros nós pés qual vingançazinha de "não me aprovas isto, eu faço-te o mesmo". 

 

Esses ilustres membros da nossa Assembleia da República esqueceram-se que estão ao serviço do povo, da Nação e não da mesquinhez política. 

Porque não sabem o que é passar frio e fome para manter as despesas energéticas baixas porque não há dinheiro para pagar 700€ por um T0 no Lumiar com os salários que temos. 

E já agora porque ainda não acordaram para o facto que obras adjudicadas ou em concurso já tiveram custos para o Erário. Ou então são burros, não sei o que mais  chamar. Porque só um burro é que acha que o metro de Lisboa pode esperar (mais uma) eternidade por um alargamento. 

Mas está tudo bem. O Coronavirus e as creches gratuitas (quais vagas????) é que são importantes.  

O que faz falta é acreditar a malta

Rui Pinto Reis, 06.02.20

Vivemos num país de fascistas de algibeira e teóricos de esquerda. Continuamos agarrados ao arquétipo que nos passaram e professamos as ideologias que, na teoria, nos parecem mais bonitas. O problema do país é estrutural. Falta coluna, falta conhecimento e, sobretudo, falta coragem.

Em Portugal a democracia é vazia, os partidos são hipócritas. Apregoam mensagens, vendem o que não têm e prometem cumprir o que não querem alcançar. A clivagem entre a esquerda e a direita é antiga. Desactualizada, até. Nos dias que correm, ninguém quer viver sem Estado Social, nem há uma alma que possa olhar para a Venezuela e dizer que o socialismo é que é o caminho. Neste admirável mundo novo, a esquerda usa iPhones que custam mais de dois ordenados mínimos e a direita reclama pela falta de investimento público.

Os tempos mudaram, as mensagens não. A política não se actualizou à velocidade dos tempos e os políticos ainda não entenderam que, aquilo que a era moderna nos roubou foi o direito ao esquecimento. As hipocrisias outrora esquecidas, agora ficam para sempre inertes no ciber-espaço e só aguardam que alguém as vá lá desinquietar.

Estes espectros, vultos do passado, não assombram só o presente de alguns. Assustam a população e afectam a democracia. Prova disso é a abstenção. Ao contrário do que se diz, as pessoas não deixam de votar por desinteresse. A não comparência dos votantes aos actos eleitorais é por descrença na política. Sobretudo, pelos actores que tem apresentado. A tradicional direita, sofre mais, porque a esquerda é mais barulhenta e sabe seduzir os jovens, faz acreditar os inocentes e aproveita esses votos para ir respirando.

Não somos um país de esquerda. As sucessivas vitórias dos partidos que a representam, não passam de derrotas do outro lado por falta de comparência. À direita falta garra e afirmação, falta pujança e coragem, falta, sobretudo, saber construir uma mensagem sólida para o seu eleitorado.

Vivemos no imediatismo do like, a comunicação política deixou de ser coesa e informada. Os políticos não percebem a falta de match que têm com o eleitor e acham que é por a direita estar velha e gorda. Não é! A direita partidária tornou-se uma influencer vegan que não dispensa um bom bife. Quem vota sabe. O povo é sereno, mas não é burro.

Já do lado do eleitorado, esta dificuldade dos partidos em "sair do armário", repercute-se numa direita, outrora homem vigoroso e hoje beata, menina de colégio, que faz gossips mas nunca dá a cara. É uma maioria silenciosa que prefere arcar com a lividez da submissão a viver com o rubor da luta e da afirmação.

O que a direita precisa não é de se refundar nem de renascer, não é de se encontrar nem achar novas bandeiras. O que a direita precisa é de soltar amarras e quebrar tabus linguísticos. 

Precisa de um líder, formado na sociedade civil, com carreira e provas dadas que diga o que todos pensamos, sem medo que lhe chamem seja o que for, porque quem está do lado da verdade nunca poderá ter medo. 

Até que este lider nato, a quem as pessoas reconheçam defeitos e virtudes apareça, questionem-se: iam a um nutricionista gordo?