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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

VOLTÁMOS!

Bruno Ribeiro, 10.01.20

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Voltámos porque sentimos que é preciso dizer tudo.

Voltámos porque percebemos que o momento o exige. 

Voltámos porque só nos arrependemos do que não fazemos.

O Psicolaranja naceu em 2006 como um espaço livre de discussão e debate, onde se juntavam jovens do PSD e independentes. De lá para cá, muito mudou. Estamos todos mais velhos. E esperamos que mais sábios...

Uns passaram dos 30, dos 40... outros atingiram a maioridade, imaginem! Outros ainda foram pais ou mães, mudaram de casa, de cidade, de país, alguns mudaram até de partido... 

E o Psico também mudou! Como sempre fizemos questão de fazer, mudando até as caras, refescando e injetando sangue novo. Estamos cheios dele, neste regresso onde trazemos um grupo de jovens que encantará todos e surpreenderá alguns, menos atentos. 

Muito mudou , de facto. Mas há algo que se mantém: o espírito continua livre, a cabeça continua pensante e há aquela vontade... aquela vontade de não voltar para casa com coisas por dizer...  

Voltámos! Voltámos porque antes de "eles acabarem com isto tudo" vão ter de nos ouvir! 

Mariana Mortágua é tudo aquilo que está errado com Portugal

Miguel Nunes Silva, 04.02.16

Na sequência do frente a frente de ontem com o deputado António Leitão Amaro, mais uma vez somos recordados que ouvir Mortágua é habilitarmo-nos a ouvir um chorrilho de disparates sem nexo.

Pondo de lado a polémica deste orçamento de estado e de como TUDO e TODOS estão errados desde o Conselho de Finanças até à Comissão Europeia e apenas o governo tem razão (conspiração internacional), ouvir Mortágua é ser-se penosamente recordado de tudo aquilo que levou à bancarrota nacional e ao desastre.

Desde logo, se há algo que fica claro das palavras da deputada é que o herói do Bloco de Esquerda deve ser José Sócrates. Porquê? Porque se alguém lutou contra a necessidade de pagar a dívida e se bateu pelo aumento do despesismo como motor do crescimento económico nacional, esse alguém foi Sócrates.

A deputada do Bloco representa neste momento o que de mais revisionista, retrógrado e senil existe em Portugal. É pena que ninguém confronte Mortágua com o melhor exemplo das políticas que ela advoga: o Portugal dos anos 90 e 2000. Aumentar salários acima da produtividade, carga fiscal nacional elevada para pagar despesas com funcionários públicos que trabalham menos que o sector privado, levar a cabo endividamento público para reavivar o crescimento económico através de um efeito multiplicador foram as políticas das últimas duas décadas. E o resultado, foi bom? 

É precisamente por causa de pessoas como Mariana Mortágua que Portugal está aonde está. Ninguém é capaz de lhe perguntar porque funcionaria hoje uma política que não funcionou no passado?

 

Mortágua tem ainda a indecência de acusar a direita de ter não apenas um modelo económico errado mas de ter empobrecido o país. Segundo a deputada bloquista, Portugal regrediu durante os anos de austeridade, política essa que não leva ao crescimento. Concordo com a primeira afirmação pois de facto perderam-se décadas com a austeridade mas o problema é que acusar a direita de ser a autora da austeridade é o mesmo que o bebé atirar a bolacha ao chão e culpar os pais por não ter bolacha ou que o filho mimado espetar o carro da família e queixar-se que os pais não são “justos” não lhe comprando carro próprio. O cúmulo da dissonância cognitiva desta gente é que na mesma frase em que defendem que a 4ª economia mais endividada do planeta deva gastar mais, se queixem dos cortes que o anterior governo teve que fazer – e, não haja dúvidas, que o próximo terá novamente de fazer.

 

A deputada acha ainda que a austeridade deste governo é melhor porque “é mais justa”. Mortágua queixa-se que a direita cortou nos salários e pensões dos mais pobres e resgatou os banqueiros. Infelizmente esta é uma visão deturpada da realidade e que revela que o Bloco vive na 5ª dimensão. O “governo da austeridade” cortou em tudo e aumentou impostos a todos. Se a deputada queria que os salários e pensões mais baixos ficassem isentos, isso teria implicado mais despedimentos ou mais privatizações mas que o dinheiro tinha de vir de algum lado, isso tinha. Tal como o sector privado se viu sem investimentos públicos e entrou em recessão – sim porque no mundo “neoliberal” da UE e dos governos “ultraneoliberais” de Passos Coelho, metade da economia nacional está dependente do sector estado – também o sector público foi chamado a contribuir. Injusto é que todos os Portugueses sejam chamados a pagar mais impostos duas semanas depois da função pública ver a sua carga horária reduzida a níveis inferiores ao do resto da população – o que não terá nada a ver com o eleitorado e lideranças da extrema-esquerda serem anormalmente constituídos por pessoas dependentes do estado.

 

Quanto aos bancos, eu diria que os banqueiros Portugueses não têm tido tempos fáceis pois os que foram “resgatados” deixaram de existir e alguns banqueiros foram mesmo presos, os que receberam ajudas para a liquidez pagaram a sua dívida ao estado e no caso do BANIF quem tem mais a explicar é mesmo a deputada por não ter querido uma auditoria externa ao caso…

 

Pois bem, fazendo a defesa da austeridade enquanto modelo económico viável, digo que a deputada não tinha melhor remédio do que ir falar os cidadãos da Europa de leste, ou de Cuba, ou da China ou de vários outros regimes que experimentaram economias planeadas, para se educar sobre os resultados de não se estar dependente do FMI ou do BCE, e de se poder gastar à vontade. A “alternativa democrática” que a deputada procura para a austeridade é muito simples: é não se pagar a dívida. E o BE já o reivindicou repetidamente. Não sei quem voltaria a emprestar a Portugal depois disso mas que é uma alternativa é…

 

Mas é sobretudo radicalmente mentecapto dizer que Portugal apenas regrediu durante a austeridade quando o turismo nacional, as exportações e as poupanças das famílias bateram recordes, e o governo Passos Coelho foi o primeiro desde há décadas a conseguir não só parar o crescimento da dívida mas mesmo reverte-lo. Claro que o eleitorado do Bloco não são as pessoas normais e como tal Mortágua não se coíbe de insultar os Portugueses que fizeram esses esforços. Talvez mais óbvio: alguém conhece um único país que não tenha de pagar dívidas ou que não sofra as consequências negativas quando o faz? Porque como a resposta é factualmente negativa, isso implica que necessariamente ninguém veja o dinheiro crescer nas árvores e consequentemente TODOS os países no mundo apliquem austeridade quando necessário.

 

Houve ainda um episódio caricato no debate entre os dois deputados quando Leitão Amaro invocou um estudo que diz que 80% dos economistas validam a austeridade e a deputada Bloquista se insurgiu questionando o estudo. Como já disse antes, não sei em que mundo o BE vive mas no meu basta fazer um tour das faculdades de economia do país e verificar quantas são de direita e quantas são de esquerda…

 

Por último digo ainda que a minha falta de respeito pela Mariana Mortágua advém do desprestígio e traição a que ela sujeita o eleitorado jovem – do qual o Bloco depende e muito. É que são as políticas de endividamento nacional a prazo e facilitismo escolar que lesam mais as oportunidades dos jovens Portugueses, os quais não só estarão pior preparados para entrar no mercado de trabalho mas quando eventualmente o fizerem estarão sobrecarregados de impostos para pagar as dívidas incorridas para sustentar o consumo desenfreado de curto prazo da geração dos pais da Mariana. Claro que depois, ainda há a desfaçatez de acusar a direita de empurrar os jovens Portugueses para a imigração - os quais diga-se, não tendem a imigrar para países com políticas de "efeitos multiplicadores" mas sim com políticas de austeridade... vá-se lá perceber porquê...

António Costa afunda PS

Ricardo Campelo de Magalhães, 19.06.15

Poderão dizer que Tsipras tem mais culpa que Costa. Há quem diga com uma determinada razão que...

O medo que Portugal se transforme numa Grécia e de se voltar ao despesismo do passado começa a ter vantagem sobre o medo da austeridade - parece que o falhanço do projeto Syriza está a fazer moça na esquerda, a ideia que os sacrifícios que os portugueses fizeram estão a surtir efeitos positivos começa a pegar.

Poderão dizer que a responsabilidade é da solidez da coligação (a 1ª a chegar ao fim do mandato) e que a responsabilidade é da falta de erros desta - repetindo o famoso adágio "Em Portugal as eleições não se ganham, evita é que se percam".

Poderão até dizer que a responsabilidade é de todos os casos mediáticos, o de Sócrates acima de todos, que atingem a imagem do PS seja qual for o seu líder.

Mas não deixa de ser deveras curioso que, quando António Costa foi eleito precisamente com a desculpa de que António José Seguro "não descolava" nas sondagens, este veja agora a sua votação colapsar de 45 para 37, perdendo para a coligação e para o previamente quase defunto BE.

Realmente, em Portugal as eleições não se ganham, perdem-se. E o futuro do país só tem a agradecer pelo serviço prestado por António Costa e todos os seus erros e zigue-zagues!

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Imagens retiradas deste interessante post de Alexandre Luz no blog KGB.

Costa, Má Aposta

Miguel Nunes Silva, 04.05.15

Existe uma estranha dissonância entre a imagem mediática de António Costa e a realidade. Personalidades como Marcelo Rebelo de Sousa louvam semana após semana os grandes feitos de Costa e admiram-no como um grande político profissional. No entanto, o historial de Costa na liderança do PS quase chega a reflectir o desastre. 

 

Não falo apenas das sondagens. Sim, o PS tem perdido bastante força nas sondagens mas tal também acontece a líderes com mérito. O contrário também se verifica pois já mais do que um líder inepto logrou ser popular e até ganhar eleições...

A surpresa é que no caso de Costa, com maus resultados tanto em sondagens como em políticas, continue a passar a imagem de competência política do mesmo...

Ora vejamos a evolução das sondagens:

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 O Secretário-Geral do PS conseguiu anular uma vantagem de 7 pontos e está agora a lutar para se manter tecnicamente empatado com a coligação governamental - e isto numa altura de profunda crise económica e políticas de austeridade, assim como alguma falta de aptidão política, desgaste e carisma por parte dos líderes de direita.

Mas como serei o primeiro a defender que sondagens não governem políticos, vejamos algumas das apostas de António Costa desde que tomou poder:

1 - Mesmo ainda recém chegado da tomada de poder no partido, António Costa decide construir uma equipa que é vista de fora simultaneamente como uma aproximação à ala Socratista do partido - em contraste com António José Seguro - e adopta uma retórica esquerdista, querida da ala mais radical do PS e conivente com tais fenómenos como o Partido LIVRE.

2 - Costa era em 2013 e 2014 muito crítico da austeridade. Em 2015 também tem sido mas desde o discurso aos empresários Chineses que a crítica soa mais oca...

3 - Apostou em François Hollande em 2012, e em Alexis Tsipras em 2015.

4 - Apostou em António Guterres como candidato, incitando-o a concorrer às presidenciais.

E valeram estas apostas a pena?

1 - Com a recuperação económica, descobriu que afinal terá que concorrer pelo eleitorado ao centro e ficou mal por ter produzido soundbites populistas radicais. Aproximou-se de Sócrates e dos seus acólitos mesmo antes da fatídica prisão deste último, o que mais uma vez o obrigou a dar meia volta e afastar-se. Que Costa quis ignorar a gestão historicamente danosa do país assim como a natureza populista e pouco escrupulosa da criatura, reflecte pouco da sensatez política do líder socialista... pelo menos quando comparado com Seguro.

2 - Não só assumiu que afinal o país está no caminho da recuperação, mas todas as críticas que faz ao governo de falhanço governativo, reverberam ainda pior quando comparadas com a era Sócrates no governo - não que ele o assuma.

3 - Tanto Hollande como Tsipras ou falharam ou foram mesmo obrigados e adoptar políticas de austeridade. Abona pouco a favor de alguém que se quer como alternativa - e ainda por cima alternativazinha...

4 - Guterres era a visão sebastianista do PS - não obstante a forma menos responsável como saiu do governo (e sim, tenho noção que muitos no PSD pedem uma candidatura de Barroso) - mas a recusa de Guterres foi uma dupla desilusão para os socialistas. Porque deixou o PS sem nomes 'notáveis' e porque mostrou aos Portugueses o quanto Guterres dá importância à sua pátria numa altura de dificuldade [not] - again...


Depois de fazer asneira na escolha de facção partidária, plataforma ideológica, referência política internacional e candidato presidencial, depois da queda livre nas sondagens, porque raio é que Costa é considerado competente?...

 

O Berlusconi de Portugal

Miguel Nunes Silva, 24.11.14

Em varias ocasiões neste blogue, apelidei Sócrates "o Berlusconi Português".

Sem saber se o ex-PM será condenado ou não, vale a pena, ainda assim, reflectir sobre o significado dos acontecimentos do ultimo fim-de-semana.

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 Muitas almas caridosas insistem em lembrar que há casos de corrupção tanto à esquerda como à direita. Sendo verdade, eu penso que a situação é muito diferente para a esquerda e explico porquê:

 

1. Tanto o PS como o PSD têm políticos sobre os quais muitas suspeitas recaem. Mas por vezes os nossos instintos servem-nos bem e tal como outros políticos - lembro-me por exemplo do Major Valentim - Sócrates nunca inspirou confiança em ninguém. Em 2009, houve varias sondagens antes das eleições nacionais e Sócrates liderava todas nas intenções de voto. Havia, no entanto, uma em que MFL lhe ganhava: honestidade. Os Portugueses sabiam bem que lhes mentia e quem lhes falava verdade... 

Ora a diferença é que o PSD não elegeu um 'destes' políticos líder do partido e PM.

 

2. Logo vale a pena perguntar o porquê do PS ter tido necessidade de o fazer. Escrevi aqui aquando da revelação da fraude que era Artur Baptista da Silva (ABS), que o caso não era apenas acidental para a esquerda, o caso era sintomático. Basicamente porque a sofreguidão por alguém de autoridade que pudesse criticar a austeridade era tanta, que muitos deixaram-se levar na cantiga de ABS.
Pois bem, Sócrates pode e deve ser visto, também, a esta luz. Muitos se queixam que os quadros competentes dos principais partidos não se dão ao trabalho de ir a eleições. Isto é verdade e é verdade nos três partidos do arco da governação. No entanto, o facto de o PS ter permitido que um destes quadros ...não competentes, de moralidade dúbia, um autêntico populista... chegasse tão longe politicamente, reflecte, na minha opinião, mais do que apenas um erro acidental.

O dilema do PS - e sobretudo dos seus notáveis - consistia em como fazer face à evidencia de que políticas socialistas não funcionavam, mas continuar a prometer os mundos e fundos que o socialismo promete; como continuar a ser socialista, já depois de ter perdido a fé...

Para esta aristocracia socialista, a solução apresentou-se na pessoa de José Sócrates: alguém de pouco escrúpulos, capaz de discursar slogans socialistas enquanto corta na segurança social (à socapa), capaz de arruinar as finanças nacionais tacticamente, para poder ganhar uma eleição (2009).

A falência ideológica do PS alimentou criaturas de mentalidade chico-esperto como Sócrates; a falência ideológica da esquerda alimentou burlões como ABS.

 

A lição de moral para o país em 2014, deveria ser a mesma de 2009: aprender com o passado. Em 2009, semanas depois de Ferreira Leite perder as eleições com o seu discurso da austeridade, a Grécia falia e pouco depois Portugal iniciava os seus PECs e era expulso dos mercados de financiamento. Em 2014, semanas depois de António Costa ser eleito reabilitando o legado de Sócrates no PS, o ultimo cai em desgraça.

A lição é simples: quando os Portugueses votam pelo sonho, as coisas correm mal.

Mais realidade Portugueses, mais realidade.

O Eurocepticismo do PS Marinho-pintista

Miguel Nunes Silva, 22.11.14

Quando em 74 o novo regime chegou ao poder, uma das políticas imediatamente encetadas foi a da descolonização. Aos Portugueses foi-lhes assegurado que Portugal, em versão pequena, podia ainda ser bem sucedido economicamente: através da cópia do modelo escandinavo em Portugal e através da adesão às Comunidades Europeias - assim acedendo a um mercado maior.

Pois bem, de acordo com a nova moção de António Costa ao Congresso do PS, a estagnação da economia nacional deve-se a 3 factores:

 

“(...)a integração da China no comércio internacional; o alargamento da União Europeia a Leste e a criação da moeda única”.

 

 

Ora, isto é gravemente problemático a vários níveis:


- Primeiro porque se algum partido ficou conotado com a descolonização e com a adesão à CEE, esse partido foi o PS. Mas se a moeda única foi nociva a Portugal, aonde fez o PS campanha contra tal medida?
E não estava o PS no governo quando o alargamento a leste foi decidido? O governo porventura deu alguma instrução aos diplomatas Portugueses em Bruxelas para resistirem ou adiarem tal alargamento? E se a justificação é que as decisões agora se fazem por maioria qualificada no Conselho Europeu, aonde se fizeram ouvir as objecções do PS ao fim das decisões por unanimidade?...

Sim, o PSD terá calado, consentido e sido tão seguidista quanto o PS, mas ao contrário do PS o PSD não se atreve a ser incoerente ao ponto de admitir tais erros - sem se desculpar - nos seus congressos... Já para nem falar da conotação federalista que figuras como Mário Soares têm tido.

 

- Segundo porque lá se trai a noção de que Portugal não depende de salários baixos para ser competitivo. A China e a Europa de leste não competem com Portugal na qualidade...

 

- Finalmente, porque a recorrente "alternativa" invocada pelo PS, a contrapor à austeridade, é a 'solução Europa'. Não se preocupem em reduzir a dívida, não se apoquentem com a sustentabilidade do sector social do estado. De onde virá o dinheiro para sustentar o que patentemente não é sustentável? Ora, da Europa, claro está... Daí a posição pro-federalista do PS, o apoio à emissão de títulos do tesouro colectivos por parte da UE (BCE), etc. Porque isso colectivizaria os problemas individuais de países como Portugal ou a Grécia. Que se dane a independência da nação. Que se dane a fraude que é prometer o dinheiro dos outros...

 

Mas esta moção de Costa não é senão um eco daquilo que se tem vindo a ouvir, desde há uns tempos, dos lados do Largo do Rato. As piadas sobre Merkel, a indignação perante a austeridade, a ameaça de romper o acordo com a Troika...
De súbito, é como se o PS já não fosse Europeísta. Nos dias que correm aliás, o PSD e PP até parecem carregar a cruz com mais orgulho do que o PS.

A verdade é que por mais que o PS esteja a ser confrontado com políticas do passado altamente ineficazes, o PS não deixou de ser Europeísta; aquilo que se revela é a incoerência de um partido que tem que fazer oposição com as costas quentes e que acaba por cair no populismo de taberna.

Os zigue-zagues de António Costa sobre as taxas turísticas

Ricardo Campelo de Magalhães, 11.11.14

Sobre tudo o que mexe debaixo do sol, o lema dos socialistas é muito simples:

Se mexe, taxe-se.
Se continuar, regule-se.
Se parar, subsidie-se.

Com todos os sectores económicos maduros já controlados pelo estado, o sector do turismo e o seu rejuvenescimento recente (possível pelo relaxamento regulatório pelo Secretário de Estado liberal do governo, Adolfo Mesquita Nunes), o previsível é muito simples: antes de regular os "enxames" de "tuk-tuks" e as demais perturbações do tradicional status quo, há que maximizar a taxação sobre o sector para equilibrar um orçamento desequilibrado pelas promessas de dinheiro fácil a "artistas" amigos e demais sangue-sugas dependentes dos cofres da CML.

A primeira parte do plano era portanto lançar uma taxa sobre o sectores hoteleiro e dos transportes. Para isso, procurou em 2013 lançar uma taxa com o apoio do sector (ou seja, dos seus infiltrados neste). Tendo falhado o intuito, teve que recuar enfim. Este ano, a tentação de aplicar as regras de uma economia vampírica voltaram, redobradas pelo ano recorde vivido em Portuga em geral e em Lisboa em particular pelo fervescente sector. Pode Portas avisar, a AHRESP apelar, e o vice de Costa até falar nas dificuldades práticas, o certo é que o orçamento necessita deste enorme aumento de impostos. E ou há uma coligação de forças ainda mais forte que a do ano passado, ou então a história repetir-se-á.

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Politicamente Correcto - doença (crónica) Portuguesa

Miguel Nunes Silva, 10.02.14

Em Portugal é proibido questionar convenções. Quem o faz é imediatamente ostracizado. Se algo ameaça a postura convencional, então é porque é extremista, ou marginal, ou pior.

 

Exemplo: em país católico/socialista (frequentemente os dois vão de mão dada) quem põe em causa que o Estado deve sustentar todos os cidadãos e distribuir benesses até mais não, é alguém que é extremista/neoliberal/insensível. Que nunca ocorra a nenhuma cabecinha que quem vem a público dizer que não há dinheiro para tudo, esteja apenas a constatar a realidade e a chamar governantes e sociedade, à responsabilidade; quais insensíveis, violadores dos valores de Abril, ladrões que de conluio com o 'grande capital' põem o país a saque...

 

Daí que pessoalmente, eu ache vergonhosamente cobarde, que a extrema-esquerda use todos os insultos e mais alguns para atacar a direita no que toca a políticas económicas. Nunca poderia a direita sequer sonhar em chamar as barbaridades à esquerda, de que é chamada por esta. Mas como as Anas Drago e Jerónimos de Sousa estão perfeitamente cientes de que o politicamente correcto e a convenção estão do seu lado - o lado do povo, estão a ver? - nem sequer hesitam em chamar a governantes legítimos 'ladrões', ou de tentar insinuar corrupção e fraude - nunca pagando, claro está, quando se prova estarem errados.

 

Assim, não é de surpreender que - talvez em Portugal mais do que em qualquer outro país - os génios sejam todos póstumos. É biografia recorrente aquela que acaba por concluir que, em vida, a excelsa pessoa nunca foi compreendida ou admirada. Foi preciso morrer na miséria e na amargura para postumamente lhe reconhecerem o devido valor.

 

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Faço esta introdução antes de me lançar no tema: o resultado do recente referendo na Suíça, que foi discutido hoje, no programa 'Opinião Pública' da SIC Notícias.
Eu compreendo quem queira defender a União Europeia e eu próprio não me considero propriamente eurocéptico mas não me conformo com a falta de pensamento crítico ou tolerância de quem o faz. Como já tive oportunidade de escrever, em Portugal o europeísmo é cânone, é dogma, não é juízo lúcido.

A coisa começa logo enviesada: no próprio site da SIC Notícias, a abordagem ao assunto é o ABC de como não fazer jornalismo (eu não me licenciei em Jornalismo mas estudei Sociologia da Informação. Os jornalistas da SICN também?...).

Supostamente o programa tem como objectivo debater temáticas. Para tal tem que dar espaço a opiniões divergentes. Mas veja-se a própria sinopse: 

 

"Queremos saber o que pensa do restabelecimento de quotas para os cidadãos europeus que queiram imigrar para a confederação helvética? "

 

Até aqui tudo bem - salvo a confusão entre afirmação e interrogação - pois estão apenas a solicitar pontos de vista de forma neutral.

 

"Que razões terão levado 50,3 % dos suíços a votarem sim, numa altura em que o desemprego é de apenas de 3,2%

e os empresários dizem que o atual sistema de angariação de mão-de-obra estrangeira beneficia a economia? 
E que reação deverá ter agora a União Europeia,

uma vez que os resultados do referendo vêm pôr em causa os acordos de livre circulação de pessoas e de participação no mercado interno?"

 

Pois é, que tolinhos estes Suíços :D que curioso que tenham sido tão palerminhas...
Ou seja, a coisa descamba completamente. A enunciação é tão claramente parcial que chega a estar perto da desinformação. Um enunciado neutral seria algo que questionasse a decisão dos Suíços e depois desse um argumento a favor da decisão e outro contra. Do género: tendo em conta X esta foi uma boa decisão mas considerando Y não será contra-producente a prazo?

Isto é aliás aquilo que é normalmente feito para espicaçar o debate e pôr as pessoas a falar. Mas não. Aquilo que aqui é feito é 'guiar' o telespectador/internauta: em primeiro lugar solicita-se a opinião mas seguidamente bombardeia-se o leitor com 3 argumentos sucedâneos que fazem a decisão dos Suíços parecer absurda.

 

Pois bem, quem está a ver tem depois o prazer de assistir ao comentário do convidado Miguel Gaspar, Director-Adjunto do Público. Surpresa das surpresas, Miguel Gaspar - como bom intelectual tuga - está ele próprio surpreendido com o resultado!... - ó porque será? - Gaspar interroga-se porque terão os Suíços votado em lei tão irracional e apenas consegue concluir que foi um voto 'emocional'.

 

Estes paladinos da democracia são fabulosos: quando o voto é a seu favor 'o povo é quem mais ordena', quando é contra 'ai coitadinhos, foram iludidos'...

Mas esta cobertura não é exclusiva dos media Portugueses. A Universidade Britânica LSE, conhecida pelas suas simpatias esquerdistas e ultra-europeístas, fazia o mesmo argumento hoje de manhã: se votaram mal, não é porque os Suíços sejam de extrema-direita (já tinham assim classificado o referendo de antemão, de maneira que agora convinha distinguir o partido dos votantes, para não parecer mal) mas sim porque o SVP é muito esperto e é muito bom no marketing........

Mas a cereja no bolo foi quando os telespectadores começaram a telefonar e - ironia das ironias - alguns deles emigrantes Portugueses na Suiça, rapidamente acusam o comentador (Miguel Gaspar) se não fazer ideia do que fala pois a crescente criminalidade e as condições difíceis de empregabilidade amplamente justificam, na opinião deles, a imposição de quotas de imigração.
Ou seja, depois de semanas de cobertura que apelidava a iniciativa de extremista, populista, eurocéptica, com pressão da parte de Bruxelas para que o 'Sim' perdesse, e ainda fazendo passar a imagem de iniciativa danosa para os interesses dos Portugueses que queriam emigrar, vêm depois os Portugueses já na Suíça dar uma visão de perfeita razoabilidade e ainda por cima quebrar a ilusão de que a comunidade Portuguesa é uniforme.

 

Sim, a Suiça não vai ter tantos trabalhadores disponíveis mas agora que quotas são impostas, a via fica aberta para seleccionar aqueles que realmente têm boas hipóteses de ser empregues.

Sim, a iniciativa põe em causa acordos com a UE mas a UE não é a suprema autoridade daquilo que é moral e razoável na Europa. Uma vez que a UE também não ouviu os Suíços quando decidiu abranger a Roménia e a Bulgária com o espaço Schengen, porque não seria aceitável que os Suíços quisessem rever os acordos com a UE - mesmo que seja apenas para negociar meia-dúzia de cláusulas? Será que é eurocéptico discordar da UE ou ter interesses divergentes?

Porque não é concebível para os paladinos do multiculturalismo, que os motins e a violência urbana em Paris, Bruxelas, Roterdão, Londres, Malmo, etc são consequências directas de políticas de acolhimento que se provou deixarem muito a desejar em eficácia?

E sobretudo, porque não é concebível para os jornalistas Portugueses, algo tão simples como a possibilidade de os Suíços estarem a aprender com os maus exemplos de estados-membro da UE?

Não exijo que a cobertura seja favorável ou desfavorável, exijo sim que a cobertura seja imparcial e informada. Mas suponho que é exigir demais de um país que preguiçosamente confia no convencional para a rotina informativa.

PS - eternamente do lado errado da História?

Miguel Nunes Silva, 20.01.14

 

 

"no actual contexto da crise financeira mundial, "há mais razões económicas" para que todas as obras públicas de modernização das infra-estruturas "se façam", uma vez que "não servirão apenas para melhorar a competitividade do país"" (Sócrates 2008)

 

 

"Lembrou a propósito socialistas que passaram pelo poder: um slogan de Guterres - "uma nação não é só números" - e a frase de Jorge Sampaio "há mais vida para além do défice". " do PEC, acrescentou." (Alegre 2010)

 

'Moody's downgrades Portugal's debt'

 

"Portugal não precisa de aderir a nenhum fundo de resgate" (Sócrates 2011)

 

"Portugal needs cash urgently, and with nowhere else to turn,

it finally requested an embarrassing but unavoidable financial bailout

from its European peers and from the IMF"

 

 

"o Governo não passa de um vendedor de ilusões que visa criar a ideia nas pessoas que o nosso país está a sair da crise mas, infelizmente, não é assim". - (Seguro 2014)

 

'Moody's changed outlook on bond rating of Portugal to stable from negative'

"Recent data releases indicate a stabilization of the economy,

with exports continuing to grow and the unemployment rate declining from its very high level.

The broad structural reforms that the Portuguese authorities have undertaken

in the context of the Troika support programme

should support the country's economic growth in the medium term"

Casa Pia não "enfraquece a sociedade"...

Miguel Nunes Silva, 20.01.14

O senhor Braga da Cruz - ex-reitor da Universidade Católica - está muito preocupado que homossexuais possam legalmente adoptar crianças.

Diz ele que:

 

"A questão da co-adopção e adopção por homossexuais vai muito para além de saber quem pode ou não cuidar de uma criança,

tendo implicações civilizacionais"

 

"Nos últimos anos temos vindo a assistir a uma deliberada orientação política que visa debilitar a sociedade, em nome do reforço da liberdade individual.

Isso enfraquece a cidadania, enfraquece a sociedade civil e torna a sociedade facilmente manipulável por objectivos políticos.

Estamos perante uma questão que altera a ordem civilizacional em que temos vivido ao longo de milénios.

Não é coisa pouca, é uma questão muito importante que não pode ser decidida ligeiramente e apressadamente.”

 

 

Pois, realmente, posta desta maneira, trata-se de uma questão gravíssima...

 

Vamos começar por aqui: não o nego, penso que a adopção por uma família homossexual é menos do que perfeita e se possível preferiria que a adopção fosse feita por famílias heterossexuais com ambos os progenitores.

 

MAS

 

Ao contrário do senhor ex-reitor, eu sou capaz de ver o contexto que está mesmo à minha frente:

 

1 - a homossexualidade é prática proibida? Não. Logo é expectável que as novas gerações de crianças entrem em contacto com esta realidade cada vez mais cedo. Se não tiverem pais homossexuais, terão tios, primos, irmãos, etc. Então e estas práticas? Não mudam milénios de tradição?...;

 

2 - é a adopção por famílias homossexuais penalizada por lei? Não? Então o que o senhor ex-reitor está a dizer é que ele não está verdadeiramente contra a co-adopção per se - porque esta já existe - mas sim contra a co-adopção aberta e legislada...;

 

3 - também não percebo que "a ordem civilizacional em que temos vivido ao longo de milénios" tolere famílias monoparentais, avunculoparentais, fratriparentais, aviparentais, etc. mas não tolere famílias com pais homossexuais... É assim um desvio tão grande?...;

 

(e eis que chegamos ao ponto que mais me dana)

 

4 - Para o senhor ex-reitor, a co-adopção terá consequências civilizacionais mas aparentemente, famílias aonde os filhos levam tareia de meia-noite, são molestados, vivem na pobreza e na ignorância, essas não têm consequências civilizacionais... Não devem ter porque isso já ocorre há milénios e ainda estou para ver as tais consequências...

Para o senhor ex-reitor, é preferível um órfão ser educado em Casas Pias e ser sujeito a tudo o que isso acarreta, que ser educado numa família homossexual, porque afinal... as Casas Pias não enfraquecem a sociedade... e isto tudo, ainda por cima, numa altura de crise e austeridade, conjuntura que não se compadece com grandes gastos orçamentais com programas sociais.

 

 

Senhor ex-reitor, tenho uma palavra para si: 'PRIORIDADES' homem! 'PRIORIDADES'!!