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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

NUNCA SENTIU?

João Lemos Esteves, 21.09.09

                          

Ontem , os produtores de Hollywood reuniram-se para discutir a expansão do cinema 3D, visto como o futuro da sétima arte. Sem negar a relevância desta nova dimensão do cinema, convém que haja a sensatez necessária para não cair no monolitismo da tecnologia, dos efeitos especiais, sob pena de matar a magia do cinema. O 3D pode ser muito útil à indústria - é certo. Mas, se não utilizado com moderação e prudência, será  a sua certidão de óbito.

 

Cheguei a esta conclusão enquanto assistia ao novo filme de Nick Cassavetes "Para a minha irmã" (My sister's keeper). É um melodrama bem ao estilo do realizador (já tinha dirigido o Diário da Nossa Paixão), com uma construção da narrativa curiosa: não apresenta uma história linear, com princípio, meio e fim, mas mostra a construção de cada  personagem. É a reacção dos personagens retratados ao mesmo problema( o cancro de Katie, no filme, filha de Cameron Diaz, que tem aqui um desempenho extraordinário) que  dita a evolução do filme. Não é uma obra sobre como lidamos com a dor. Não pretende mostrar como lidamos com doentes cancerígenos. É mais, muito mais que isso: é um retrato da condição humana. O simples facto de os personagens serem redondos (isto é, não terem um comportamento uniformizado, constante, mas sim variável à medida que a doença se agrava e a esperança se encurta) é um reflexo de que os seres humanos, por muito racionais que sejam, guiam-se mais  seus sentimentos, pelas suas emoções - e têm receio do "fado" da vida, da fragilidade da sua (nossa) condição. Na ânsia de querer controlar tudo, quando algo foge ao nosso controlo ficamos à beira do abismo: a racionalidade é dominada pela afectividade, pelo coração. A história daquela mãe, advogada, que abdica de tudo para se dedicar à filha com cancro, acreditando que um milagre acontecerá de qualquer forma, poderia ser a biografia de alguém que conhecemos ou amamos.  Não é um filme sobre aliens que conquistam o Planeta Terra e dominam o homem com armas XPTO - que anima, mas não convence. Não é um filme sobre um professor em busca de um cofre perdido com um tesouro valioso no Egipto, entre múmias e faraós - é fascinante, mas não comove. "Para a Minha irmã" é um filme sobre os limites do ser humano -  por muito desenvolvimento tecnológico que haja ocorrido, não controlamos tudo o que nos acontece. No fundo, Cassavetes reformula a conhecida frase de Ortega y gasset ( o homem é ele  e a sua circunstância)  e diz-nos que a circunstância muitas vezes constrói, dita o destino de cada um de nós. 

 

Á saída, confronto-me com uma senhora já de "experiência feita"  a chorar incessantemente. Educadamente, pergunto a razão de ser do seu estado emocional. Foi o filme que a emocionou tanto? Explica-me: sua vizinha, melhor amiga, descobriu que a filha tinha cancro - a partir daí, nunca mais foi a mesma. Sempre tão divertida, agora anda sempre sorumbática, cansada de tanto lutar contra a fatalidade que a vida lhe reservou. Mais:diz-me que ver o filme lhe fez bem. Expiou-lhe a alma - por vezes não percebera a dimensão plena do sofrimento da amiga. Antecipar, prever, retratar a realidade, tornar os personagens verosímeis, tocar no coração dos espectadores, incentivar a reflexão - eis o verdadeiro poder do cinema! Decerto que o 3D , porque tão impessoal, não consegue...

   

Autoridade do fica tudo na mesma!

jfd, 07.01.09

Um dos meus assuntos favoritos! Os reguladores e fiscalizadores deste país.

Uma vez mais vem a Autoridade da Concorrência descurar os consumidores, manter o mercado como está e descurar a livre iniciativa de um player para manter o mercado de queixosos. Neste país o mercado não funciona. É tudo protegido. Há almofadas para tudo.

Mesmo tratando-se de uma empresa que concorre com a empresa que me dá trabalho há mais de uma década, não posso deixar de louvar a iniciativa. Espero que estes três meses passem depressa e sejam bem justificados. Este País às vezes só me deixa triste. São os consumidores que escolhem onde querem ver os filmes!

Que se criem remédios que se criem condições, mas que se pense no consumidor se se quer travar o livre mercado, de resto; DEIXEM O MERCADO TRABALHAR!

 

O cartão MyZONCard foi suspenso por três meses pela Autoridade da Concorrência, na sequência da queixa do produtor, distribuidor e exibidor de cinema Paulo Branco. "É uma vitória do bom senso e de todos os outros operadores cinematográficos", disse ontem Paulo Branco, segundo o qual a potencial existência de 40 milhões de bilhetes gratuitos anuais levaria ao encerramento das salas de cinema da concorrência. No âmbito da campanha, que será analisada nos próximos 90 dias pela AdC, a empresa já enviou 500 mil cartões a assinantes da TV Cabo. Salientando a posição dominante da ZON na distribuição e exibição de filmes, Branco congratulou-se com a rapidez da AdC, pois a queixa foi apresentada há dez dias. Por seu lado, a ZON considera a decisão "injustificada e lesiva dos interesses dos consumidores", prometendo recorrer "através dos meios legais adequados". O seu director de Comunica ção disse que os advogados estão a analisar o caso e defendeu que a AdC "não estará na posse de todos os dados". No entanto, "não resta, para já, outra alternativa" que não a suspensão da oferta de bilhetes de cinema aos detentores do MyZONCard, que tinha entretanto começado.

 

http://www.concorrencia.pt/download/comunicado2009_01.pdf