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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

Como Libertar o Futuro: (II)

Miguel Nunes Silva, 12.03.10

A esquerda domina em Portugal. Este lado do espectro político manteve-se no poder com três visões governativas: a Soarista que recusava o radicalismo comunista e que prometia prosperidade pela moderação, a Guterrista que depois do colapso do bloco soviético garantia poder governar de forma liberal sem comprometer as preocupações sociais, e a Socratista que numa era sem ideologias ofereceu a imagem de um PM jovem, dinâmico e voluntarista, e que nunca se chegou a aperceber de que essas características são ainda mais importantes na sociedade que se propunha governar.

 

Mas a esquerda está exausta. A máquina de sonhos sobreaqueceu e já nem tem a capacidade de diferenciar entre lealdade partidária e apologia do conspurcado.

 

A fraqueza da actual esquerda, reflectida na sua juventude política sem causas, tímida e resignada tribuna de causas fracturantes, é outra das circunstâncias favoráveis que auxiliará à sustentabilidade governativa de um regime de centro-direita comprometido com reformas controversas.

 

Libertar o futuro consistirá então na tarefa de livrar Portugal de um endividamento estagnante e dotar o país dos meios necessários para que as novas gerações possam perpetuar o legado nacional.

 

A libertação do futuro terá dois obstáculos: o primeiro é o da perpetuação do sistema de segurança social e o segundo é a direita populista.

 

A perpetuação do sistema da segurança social é virtualmente impossível mas qualquer tentativa de o reformar contará com o alarmismo esquerdista, que facilmente contaminaria uma sociedade demasiado dependente do sector estado.

 

O populismo de direita poderá minar uma governação reformista pois contará com o barato argumento do atraso das reformas. O perigo de entrar em compromissos com a direita populista está em trocar preocupações nacionais por ganhos eleitorais. Por outras palavras, abandonar a visão de longo prazo pela de curto prazo.

 

Temores aparte, a janela de oportunidade para Portugal está mais uma vez entreaberta. Resta confiar que Portugueses e Sociais-Democratas estejam preparados para arejar a casa e livrar-se do cheiro a mofo da mobília cor-de-rosa.

Dizem que é feio, e não é bonito

Guilherme Diaz-Bérrio, 04.09.09

 

Sou fã da Sábado. Sempre gostei mais desta públicação do que da Visão. Também já fui Jornalista um ano (na Revista Carteira), por isso sei que é uma profissão ingrata.

É por isso desnecessário que alguns jornalistas a façam ainda mais ingrata do que ela já é! Ao que me refiro? Ao artigo da Sábado, desta semana, sobre os "retiros" da JS e da JSD - a Universidade de Verão da JSD/PSD e o "Summer Festival" da JS/PS.

 

Dispamos um pouco a camisola, e ignoremos o facto de a diferença entre um "Summer Festival" e uma "Universidade de Verão" é próxima da diferença da noite para o dia. Com as iniciativas da Juventude Socialista, honestamente, posso eu bem. Com o artigo da Sábado, já tenho algumas questões existenciais!

 

O artigo começa com uma citação de um aluno apanhado num momento de descontração. Ou seja, muito próximo do que se chama "off the record". Não se publica sem autorização do próprio. Não é ético! Além de que nem é uma boa tactica de carreira: quem falará ao pé dela da próxima vez, sabendo que ela cita daquela forma, e sem no minimo inquirir se o pode fazer?

Em segundo lugar, eu não faço pretenções de querer ver "jornalismo isento". Isso não existe meus senhores. Todos os jornalistas têm a sua opinião! São humanos, não maquinas! Mas espero ve-los a tentarem ver o "outro lado da questão". Foi por isso que o meu antigo director  da Carteira [David Almas] me ensinou: "Usa sempre no mínimo três citações nos teus artigos, e de preferência que não sejam todas do mesmo ponto de vista". Ver o reverso da medalha, tentar equilibrar o artigo com os vários lados da questão. 

 

A jornalista não o fez. O artigo não mostra a Universidade de Verão. Eu estive lá! E dúvido muito, do outro lado da barricada, que o "Summer Festival" da JS também tenha sido apenas uma cambada de meninos bebados, que não sabem bem o que "socialista" quer dizer a cair para uma piscina. Os dois artigos - são assinados por pessoas diferentes - altamente enviesados.

Não vou falar do Summer Festival da JS, mas da UV2009 falo com toda a tranquilidade: o artigo não mostra o trabalho feito, algumas perguntas pertinentes, 6 dias de conferências, 2 trabalhos de grupo, uma simulação de uma Assembleia - e sim, também bebemos alguns copos nas horas vagas, dado que ninguém ali é uma maquina!

 

Há alunos melhores, e alunos piores! Intervenções melhores e intervenções piores! E eu assisti a grandes perguntas e grandes intervenções. Focar um artigo no pior não é mau jornalismo. É jornalismo sectário, de opinião já formada. Ora, isso não é jornalismo, é uma "coluna de opinião"!

 

Razão tinha o Duarte Marques, que é citado no artigo por "policiar a Sábado", em estar preocupado. O que dali saiu não foi bonito! É pena... era fã da Sábado!