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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

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O lado paranóico da política

Os nano mini, micro ...

Miguel Nunes Silva, 08.10.09

                Confesso desde já que nutro grande simpatia pelos pequenos partidos. É lá que encontramos a pureza ideológica, os não corrompidos e aqueles que fazem política a custo pessoal, em vez de o fazerem para ganho pessoal. É verdade que também é lá que estão frequentemente os socialmente inadaptados, os radicais utópicos e os extremistas. Mas ainda assim, é um universo muitíssimo interessante.

 

O último ano foi rico para estes movimentos, os quais se multiplicaram e encontraram maior aceitação com a crise e com a falta de confiança generalizada nas políticas mainstream.

 

Concorreram às eleições dez destas formações:

 

 

PCTP/MRPP – O eterno partido maoista Português liderado por Garcia Pereira tem sempre sido dos mais populares entre os inconformados. Nas europeias conseguiu 42 940 votos e nas legislativas 52 633.

 

MEP – O partido dos optimistas com nomes como Laurinda Alves na liderança, é o mais bem sucedido dos novos pequenos partidos. Europeias: 55 072; Legislativas: 25 338.

 

PND – A cisão do CDS era suposto afirmar-se enquanto partido liberal mas as opiniões ultra-conservadoras expressas no Demo-Liberal são mais próprias do Partido Republicano norte-americano. O antigo partido de Manuel Monteiro somou 21 380 votos nas legislativas.

 

MMS – Os meritocráticos portugueses poderão a médio prazo dar representação aos liberais de Portugal. No entanto, o seu liberalismo não se estende à área social aonde algumas das medidas que visam introduzir em termos de segurança, podem ser perspectivadas como draconianas pelo público. 21 738 nas europeias e  16 580 nas legislativas.

 

PPM – Os monárquicos somaram 14 414 votos nas europeias e 14 997 nas legislativas. Sem grandes mudanças, o PPM é consistente mas a sua coerência também se estende ao seu tamanho…

 

FEH – A coligação entre o Partido da Terra (MPT) e o Partido Humanista totalizou  apenas 12 025 votos nas legislativas mas juntos, o seu resultado nas europeias foi muito mais impressionante: 24 062 votos no MPT e 17 139 no PH. Uma coligação curiosa depois dos anos de parceria do MPT com o PPM, de onde originou pela mão de Gonçalo Ribeiro Telles. Ainda de referir que o eurocepticismo dos conservacionistas lhes granjeou financiamento irlandês nas europeias, o que poderá também explicar o seu bom resultado.

 

PNR – Os infames “neo-nacionalistas” mantêm o seu núcleo duro de seguidores mas a sua visão xenófoba sempre os afastará de qualquer acordo de coligação; para não mencionar a sua conotação – justa ou não – com o neo-fascismo. 13 214 votos nas europeias e 11 614 nas legislativas.

 

PPV – Um dos novos partidos menos bem sucedidos, o Portugal pró Vida reduz-se à plataforma anti-aborto. Este movimento cívico conservador reuniu 8485 votos nas legislativas.

 

PTP  - Os trabalhistas também não impressionaram com os seus tempos de antena no mínimo amadores. Ainda assim, 4789 pessoas confiaram neles. Seria impensável coligarem-se com outros partidos? Talvez não.

 

POUS – Os seguidores da 4ª internacional ficaram-se pelo seu eleitorado tradicional: 5177 nas europeias e 4320 nas legislativas. O partido de Carmelinda Pereira tem enviado cartas abertas aos partidos de esquerda apelando a uma união das esquerdas. Quer o POUS finalmente sair do seu isolamento?

 

 

                O que é interessante aferir é que até os pequenos partidos sofreram com o voto útil e com o voto protesto. Os únicos partidos que aumentaram a sua votação em relação às europeias foram o PCTP/MRPP e o PPM.

 

                Estes resultados são interessantes pois se bem se lembram, o Bloco de Esquerda emergiu duma coligação de movimentos como estes. A surgir uma coligação semelhante no entanto, esta seria de partidos centristas e qualquer lugar do parlamento que pudessem ocupar seria em detrimento do PS mas também do PSD.

 

                Não é muito difícil imaginar uma Aliança Independente entre o MEP, o MMS e a FEH, por exemplo. Juntos teriam aritmeticamente conseguido 54 000 votos nestas legislativas e 120 000 nas Europeias. Não seria inconcebível que conseguissem alguns mandatos nos grandes distritos. Se adicionássemos o PPM ainda mais representação teriam mas excluo-o por agora pois o PPM tem acordos de coligação com o PSD e o CDS em outras instâncias.

                Eventualmente outras coligações são possíveis claro: Coligação da Direita PND-MMS, Centro Independente PTP/MEP/MMS/FEH…

 

 

                Que acham os leitores?