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PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

PSICOLARANJA

O lado paranóico da política

Wake up call!!

Guilherme Diaz-Bérrio, 12.10.09

 Fernando Nogueira (1995-1996)

 

Marcelo Rebelo de Sousa (1996-1999)

 

José Manuel Durão Barroso (1999-2004)

 

Pedro Santana Lopes (2004-2005)

 

Luís Marques Mendes (2005-2007)

 

Luís Filipe Menezes (2007-2008)

 

Manuela Ferreira Leite (2008-)

 

Quanto tempo mais vamos ter de ir às urnas e ser humilhados para entendermos a mensagem do eleitorado?!

 

Quantos mais anos vamos ter de ficar fora do Poder para entender-mos que estamos com um problema, não de lideranças mas de estrutura do partido?!

 

Quantos mais sinais são precisos para acordar este partido!? Com uma população que não gosta do PM, perdemos. Com umas eleições que não contavam para "cartões amarelos", e onde a líder não aparecia tanto, passamos de 47 câmaras para apenas 9 municipios de vantagem, incluindo surpresas como Leiria!

 

Quanto mais tempo vai este partido demorar a entender que o problema é estrutural, endémico, ultrapassa muito a liderança da CPN (já vamos em 7 lideres em 14 anos com resultados semelhantes, fora Durão que todos sabemos como essa história acabou!).

 

Quanto mais tempos vai este partido demorar a entender que os portugueses se recusam, por muito mal que esteja o país, a votar num partido de puros pragmáticos, que fazem política mas não reflectem política, sem ideologia minimamente definida, um partido que passa a imagem de ser do Poder, pelo Poder e para o Poder?

 

Antes de começar-mos a afiar as facas para ver quem vai ser o próximo líder, temos de pensar que partido queremos! Auto-reflexão exige-se! Já!

Refundação...

Guilherme Diaz-Bérrio, 28.09.09

 

 

Este post poderia facilmente chamar-se "A deriva do PSD". Não é recente. Não me refiro a Manuela Ferreira Leite, a Santana Lopes ou a Luís Filipe Menezes. Esta questão ultrapassa em muito qualquer liderança. É neste momento, endémica ao partido.

 

Desde 1995, o PSD apenas governou 2 anos e meio. Façam as contas: em 14 anos, desde as maiorias de Cavaco Silva, o PSD esteve fora do Governo mais de 11 anos. Normalmente este é o argumento utilizado para focar um ponto: a estagnação da última década é consequência de sucessivas governações socialistas. Talvez, mas a verdadeira lição a tirar não é essa, mas sim, porque é que o Povo português insiste em não confiar em nós?

 

Podemos usar os argumentos faceis do costume: "O povo foi estupido ontem", a politica é à base de "pão e circo" ou "cada povo tem o governo que merece". Não concordo com alguns companheiros de blog nesta questão: Se a mensagem não passou, a culpa também recai - e muito - no mensageiro. Esta é uma das lições primordiais da comunicação.

 

Olhemos à nossa direita: o CDS-PP. Tinha uma mensagem, um programa, e tinham também comunicação. Nós ficamo-nos pela mensagem. Mas o problema é ainda mais profundo. Erros de mensagem acontecem... mas não derivam numa década fora do poder. Olhemos bem para os resultados de ontem: iguais a 2005. Dois momentos politicos diferentes, dois estilos de liderança que têm tanto a ver um com o outro como o dia da noite e no entanto... o mesmo resultado! 

 

Ontem, tal como em 2005, tivemos o voto FIEL ao PSD. Aquele que não vota em mais ninguém, sem fazer perguntas. O nosso "nicho". Mas não chega! E escusamos de começar com a guerra "pois, a culpa é de MFL, se fosse ________________ (inserir nome da vossa preferencia) teríamos ganho". O problema é "estrutural" e endémico ao partido.

 

Em primeiro lugar, temos um problema base, de falta de estratégia. Alguém, no PSD, se dignou a perguntar "o que é que o eleitor [o consumidor da 'social democracia'] quer?". Sentem-se asfixiados? Bem, a julgar pelo resultado, não. TGV? Sim ou não? Daqui é que se define em que tocar e não tocar. Quando há uma crise, as pessoas não querem um partido de poder a falar dia e noite de como as sondagens são más com 30 por cento de indecisos, a democracia é asfixiada... ah e não somos Espanha. E foi isto que passou!

 

Mas, mais grave: quando um vendedor não sabe aquilo que está a vender, então como se está à espera que ele convença o comprador?! É que afinal, eu não sou o único a não entender bem o que é isto de "Social Democracia Portuguesa". Há 15 anos que os portugueses também não percebem muito bem! Quem me conhece, sabe que sempre bati nesta tecla: também no pensamento politico temos de nos refundar. A imagem que damos neste momento é de um partido de poder pelo poder. 

 

Falei aqui e aqui disso. Também no conselho distrital de Lisboa, me atrevi a referir este tópico, a uma semana das eleições Europeias. Tal como na altura, tenho a sensação que ninguém vai entender a necessidade de definir o que somos ao eleitorado. O que defendemos. Que se calhar, não somos "social democratas", e não temos medo de o assumir. Que temos um projecto para o país! Um projecto que não é de esquerda. Que somos um partido que se caracteriza por, embora não confessional, partilhar valores da Democracia Cristã Europeia,  que congrega Conservadores e Liberais, que defendemos um Estado mais pequeno e menos "dirigista" e somos fiscalmente conservadores. Que em suma, não estamos aqui para o poder pelo poder. Que não nos encobrimos com o manto duma pertença 'social democracia' [Para quem não entendeu à primeira: Sociais democratas são o burgo ali ao lado que ganhou as eleições!] porque temos medo que o país não vote no projecto que defendemos para o país!

 

Temos de parar para pensar. Limpar o partido. Reformar a sua estrutura, pesada demais, e desadequada aos tempos que correm. Definir o nosso "produto", o nosso "projecto" e depois, no fim, arranjar uma estratégia com pés e cabeça para convencer-mos os eleitores a votarem PPD/PSD.

 

O PP Espanhol esteve uma década fora do poder até se refundar (com Aznar). O Labour inglês teve o periodo Tatchet/Major, quase 14 anos, até aparecer Blair, e refundar o partido. Blair esse que obrigaria os Touries ingleses ao mesmo: 12 anos sem governar, até entenderam, com Ian Duncan Smith e David Cameron, que o problema não eram os eleitores mas sim eles, que tinham uma mensagem má e mal transmitida! Quanto tempo mais vai o PPD/PSD ter de ficar fora dos corredores de S. Bento, até entendermos que temos de parar para pensar e refundar a direita em Portugal?